Integração e aprendizado: Bahia se inspira em modelo de monitoramento ambiental do Espírito Santo

12/09/2025
ENCOB - ES

A troca de experiências tem sido prioridade para a delegação baiana que participa do 26º Encontro Nacional de Comitês de Bacias Hidrográficas (ENCOB), realizado entre os dias 8 e 13 de setembro, em Vitória (ES). Como extensão da programação, gestores do Inema visitaram as instalações do Centro de Inteligência da Defesa Civil do Espírito Santo (Cidec), referência nacional no acompanhamento em tempo real de indicadores ambientais.

O centro é voltado para o monitoramento e ações táticas de proteção e defesa civil integradas, com respostas rápidas diante de cenários adversos e possíveis catástrofes naturais, sejam meteorológicas, hidrológicas ou de riscos geológicos. O objetivo da visita foi conhecer de perto as ferramentas e metodologias utilizadas pelo estado vizinho na gestão ambiental, com o propósito de aprimorar as estruturas do Inema na prevenção e acompanhamento de eventos críticos, como queimadas, desmatamentos e alterações climáticas.

Representaram a Bahia o diretor-geral do Inema, Eduardo Topázio, e o diretor de Águas e Monitoramento (DIRAM), Antônio Rocha. Os gestores foram recepcionados pelo ex-técnico do Inema, Mauro Bernasconi, atualmente na Cidec-ES. Durante a visita, conheceram toda a infraestrutura da sala de crise e os equipamentos utilizados para o monitoramento integrado de riscos.

“O centro utiliza os mesmos programas e sistemas que nós usamos em nossa Sala de Monitoramento Ambiental, estrutura essa que o próprio Mauro ajudou a construir quando atuava conosco. Mas a estrutura da Cidec é, sem dúvidas, muito maior de investimento e infraestrutura, o que serviu de modelo para que possamos implantar algo equivalente dentro do Inema”, afirmou Topázio.

O diretor destacou ainda o funcionamento em plantão permanente, prática que já está nos planos da atual gestão. “O que achei mais interessante, e que já estamos construindo como proposta, é o fato de eles trabalharem em regime de 24 horas por dia, sete dias por semana. Os eventos climáticos podem acontecer a qualquer momento e se alteram muito rapidamente, principalmente em finais de semana. Hoje temos essa fragilidade, como não há equipe atuando nesses dias, ficamos limitados na capacidade de emitir alertas de emergência em tempo real”, salientou o gestor, se comprometendo a buscar viabilizar essas tratativas nos próximos anos.

Ao avaliar a experiência, o diretor de Águas e Monitoramento, Antônio Rocha, destacou a robustez da estrutura visitada e a qualidade dos recursos tecnológicos disponíveis.

“Ficamos muito bem impressionados com toda a infraestrutura das salas de crise e também dos equipamentos utilizados para o monitoramento. Eles possuem dois grandes videowalls, que são painéis com monitores e diversos softwares de monitoramento, tanto de riscos hidrológicos como de riscos geológicos e possíveis desmoronamentos. Fazem um trabalho fantástico também no monitoramento de focos de calor e ações preventivas a possíveis incêndios no estado”, pontuou.

Para ele, a experiência serve como inspiração direta para o fortalecimento da Sala de Monitoramento do Inema, que atua diariamente no acompanhamento de indicadores ambientais, consolidando informações que subsidiam gestores públicos, órgãos de fiscalização e equipes de campo. É a partir dela que são emitidos boletins técnicos, fundamentais para prevenir danos ambientais e orientar os gestores na tomada de decisão.

“Buscamos referências de layout, equipamentos, pessoal, modelos de contratação, softwares, protocolos e planos contingenciais. Mas o que mais nos chamou atenção foi o modelo de governança e integração institucional, que serviu como parâmetro para replicarmos na Bahia, respeitando nossas características institucionais. À princípio, já atuamos em parceria com a Defesa Civil, mas queremos aprimorar essa articulação e integrar também outras secretarias, reunindo toda essa base de monitoramento para criar um centro integrado de monitoramento e gestão de riscos para o Estado”, afirmou.

A experiência trouxe ainda novas perspectivas, como a avaliação do quantitativo adequado e o modelo de monitoramento a partir de radares e sistemas de alerta em tempo real, o chamado Cell Broadcast. Segundo Topázio, essa é uma prioridade que vai além da tecnologia, pois envolve também infraestrutura física e recursos humanos.

“Nosso espaço ainda é pequeno e com pouca estrutura, mas já temos conhecimento tecnológico. Trocar experiências com outros estados fortalece nossa capacidade e evidencia a necessidade de ampliar a sala de situação, mostrando ao próprio Estado a importância de um investimento desse porte”, concluiu o diretor-geral do Inema.


Bahia no 26º ENCOB -  Ao longo da semana, a comitiva baiana, representada por mais de 50 integrantes, entre representantes de comitês estaduais e servidores do Inema, estiveram presentes no evento em Vitória (ES). A participação foi viabilizada com o apoio dos programas Progestão e Procomitês, da Agência Nacional de Águas e Saneamento (ANA). Ao todo, foram 40 membros de comitês estaduais, oito técnicos do Inema e outros dez representantes que participaram com recursos próprios.

 

Tags
ENCOB
Galeria: