O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) conduziu, nesta quarta-feira (08), a audiência pública de apresentação do Estudo de Impacto Ambiental e do Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) do Projeto Complexo Eólico Serra Grande, de titularidade da empresa Eólica Serra do Teixeira. O encontro foi realizado no Ginásio de Esportes da Escola Municipal Estevão Gomes de Souza, situada no povoado Agrovila 1 Jusante, zona rural do município de Glória/BA e reuniu cerca de mais de 100 participantes, representantes do poder público, comunidades locais, empresas e consultorias técnicas.
O Complexo Eólico Serra Grande ocupa uma área de 416,77 ha. É composto por 105 aerogeradores modelo SG 6.6-170, de 6,6 MW cada, totalizando uma capacidade instalada de 693.000 kW, distribuídos em 17 Centrais Geradoras.
Representando o diretor-geral do Inema, o analista técnico, João Amorim, explicou que a audiência pública integra o processo de licenciamento ambiental e tem como objetivo apresentar o empreendimento à comunidade, esclarecer dúvidas e coletar contribuições da população. Segundo ele, o procedimento segue etapas formais, que incluem a elaboração do EIA e do RIMA, além da ampla divulgação desses documentos em locais acessíveis.
“O instituto é o órgão responsável pelo licenciamento ambiental no estado, cabendo-lhe planejar, coordenar e executar ações relacionadas à emissão de licenças e autorizações, como outorga de uso da água, supressão de vegetação e outros atos regulatórios vinculados às atividades potencialmente impactantes ao meio ambiente”, afirmou João. Amorim também destacou que durante a audiência o Inema atua como medidor e ouvinte, responsável por registrar as manifestações da sociedade “as contribuições coletadas servirão de subsídio para a análise técnica do órgão, que posteriormente emitirá parecer sobre a viabilidade ambiental do empreendimento”, pontuou.
As audiências públicas são etapas essenciais do licenciamento de empreendimentos com potencial impacto ambiental, garantindo que a sociedade participe das decisões que envolvem o seu território.
O pajé da aldeia indígena de Kantaruré, Luiz Barbosa, destacou que o empreendimento representa uma oportunidade de desenvolvimento para a comunidade, especialmente na geração de emprego e renda. “Esse projeto pode trazer muitos benefícios para o nosso povo, principalmente com a criação de vagas de trabalho e oportunidades para os jovens da comunidade”, afirmou. Segundo ele, a iniciativa também abre caminhos para a implantação de projetos sociais e educacionais, contribuindo para melhorar a qualidade de vida na região.
Para a moradora da comunidade, Leane Oliveira, o empreendimento representa uma expectativa positiva de desenvolvimento para a região. “A gente acredita que esse projeto pode trazer muitos benefícios, principalmente na geração de emprego e no fortalecimento do comércio local. Com esse tipo de investimento, tudo tende a crescer, surgem mais oportunidades de trabalho, aumenta a circulação de renda e melhora a vida das pessoas que vivem aqui”, afirmou.
Empreendimento prevê investimentos e geração de empregos
Pedro Paulo, coordenador de projetos da Papyrus, que é a empresa que realizou os estudos e todo o processo de licenciamento do Complexo Eólico Serra Grande, explicou que a escolha do local tem a ver com o potencial eólico. “As empresas trabalham com o mapa de potencial eólico a nível nacional, investigando ali quais são as áreas com maior potencial para geração comercial desse recurso renovável e aqui é um dos pontos muito favoráveis para a geração comercial eólica. Então, além disso, é uma área que já tem um sistema muito desenvolvido de transmissão de energia com linhas de transmissão e subestações por conta da presença de diversas usinas hidrelétricas aqui na região”.
A coordenadora de desenvolvimento da empresa Eólica Serra do Teixeira, Alexia Luz, destacou que a energia eólica é uma fonte limpa e traz impactos positivos tanto para o país quanto para as comunidades locais. Segundo ela, o empreendimento contará com 105 aerogeradores destinados à produção de energia renovável para o Sistema Interligado Nacional. “A nível nacional, o projeto contribui para a ampliação da matriz energética limpa. Já para as comunidades, os benefícios incluem a geração de empregos diretos e indiretos, além da realização de projetos sociais como forma de compensação ambiental pela utilização da área”, afirmou. A representante também ressaltou que a expectativa é de criação de cerca de 850 postos de trabalho ao longo das fases do empreendimento, com um investimento estimado em R$ 3,8 bilhões na região.
Além de João Amorim, também participaram das discussões, representando o Inema, o coordenador da Coine, José Lacerda; a geógrafa, Lolita Garrido; a engenheira ambiental e sanitarista, Mônica Silveira; a geóloga, Marília Nunes; o biólogo, Philipe de Oliveira, e Alexandra Hirsch de Sant’Anna, técnica lotada na Coordenação de Interação Social (CGDIS).