Nos 15 anos do Inema, DISUC consolida gestão de biodiversidade e áreas protegidas na Bahia

29/04/2026
Nos 15 anos do Inema, DISUC consolida gestão de biodiversidade e áreas protegidas na Bahia
Divulgação

Quando o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) completa quinze anos de existência, é possível medir a distância percorrida com dados concretos: 45 Unidades de Conservação (UCs) geridas, 74 Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) criadas, mais de 58 mil atendimentos a animais silvestres registrados em cinco anos, projetos ativos nos três biomas do estado e cooperações internacionais que colocam a Bahia em posição de relevância nos debates sobre biodiversidade. No centro dessa estrutura está a Diretoria de Sustentabilidade e Conservação (DISUC), criada em 2019 e responsável por transformar as diretrizes de política ambiental em ações no território baiano.

A diretoria foi instituída pelo Decreto Estadual nº 19.129, que também definiu sua arquitetura interna: três coordenações técnicas especializadas, cada uma com escopo bem delimitado. A Coordenação de Gestão de Unidades de Conservação (CGEUC) cuida da governança territorial das áreas protegidas estaduais. A Coordenação de Biodiversidade (CGBIO) conduz ações de conservação, restauração ecológica e fomento a projetos ambientais. E a Coordenação de Fauna Silvestre (CGFAU) opera nas frentes de resgate, reabilitação, destinação e educação ambiental, respondendo também pela fauna mantida fora do ambiente natural.

“A DISUC foi estruturada para funcionar de forma integrada. Cada coordenação tem um escopo específico, mas todas atuam sobre o mesmo objetivo: traduzir política ambiental em presença concreta no território. Isso exige planejamento técnico, capacidade operacional e articulação permanente com outros atores institucionais, comunitários e científicos”, afirma a diretora de Sustentabilidade e Conservação do Inema, Jeanne Florence.

Da criação ao território: gestão e governança das Unidades de Conservação

A gestão das Unidades de Conservação estaduais, distribuídas pelos três biomas existentes no estado — Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga —, representa uma das responsabilidades centrais da Diretoria. O trabalho inclui o fortalecimento de conselhos gestores, a promoção de governança participativa e a estruturação de mecanismos de uso público que tornem as UCs mais integradas ao desenvolvimento local. Ao longo de sua existência, destaca-se a criação do Parque Estadual Ponta da Tulha e a homologação de 74 RPPNs, instrumentos fundamentais para ampliar a cobertura de proteção além dos limites das unidades estaduais.

“Gerir 45 unidades de conservação distribuídas por três biomas, inclusive UCs marinhas, exige uma estrutura de governança que envolva não apenas o poder público, mas também as comunidades que vivem nessas áreas e no entorno. Os conselhos gestores e os planos de manejo são os principais instrumentos para melhor gestão, e é por meio deles que as decisões ganham legitimidade e a implementação das políticas de conservação, efetividade”, explica o coordenador de Gestão de Unidades de Conservação, Mateus Camilo Leite.

Um dos programas que apoia essa expansão é o Programa de Apoio à Criação de Unidades de Conservação Municipais, por meio do qual cinco novas UCs foram criadas em nível municipal, em uma iniciativa que fortalece a malha protetiva ao envolver os governos locais na responsabilidade de preservação.

Projetos estruturantes: da zona costeira ao bioma da seca

Três projetos de escala expressiva marcam a atuação da CGEUC ao longo desse período. O Projeto Áreas Marinhas e Costeiras Protegidas (GEF Mar) busca a conservação da biodiversidade e o uso sustentável da zona marinha e costeira por meio da consolidação de um sistema de Áreas Marinhas e Costeiras Protegidas. O Projeto Estratégias de Conservação, Restauração e Manejo para a Biodiversidade da Caatinga, Pampa e Pantanal (GEF Terrestre), por sua vez, está alinhado aos princípios da Convenção de Diversidade Biológica e da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, atua nos ecossistemas terrestres dos três biomas. Já o Programa ARCA volta suas ações ao bioma Caatinga, com o objetivo de reforçar esforços de conservação numa região historicamente pressionada pela desertificação e pelo uso irregular do solo.

“Os projetos GEF representam uma escala de atuação que vai além dos limites administrativos das unidades de conservação. Trabalhamos a biodiversidade nos ambientes marinhos, costeiros e terrestres de forma simultânea, com base em acordos internacionais que orientam tanto a conservação quanto o uso sustentável dos recursos naturais”, explica a coordenadora de Gestão da Biodiversidade, Mara Angelica dos Santos.

O Plano de Ação Territorial (PAT) da Chapada Diamantina–Serra da Jiboia, executado entre 2020 e 2025 em parceria com o WWF Brasil e a Secretaria do Meio Ambiente da Bahia (Sema), concentrou esforços na conservação de 27 espécies-alvo e de outras 339 espécies beneficiadas pelos mesmos ecossistemas. A iniciativa funcionou como um modelo de planejamento territorial integrado para espécies ameaçadas, combinando dados científicos, monitoramento de campo e articulação institucional.

Outro marco foi o edital executado no âmbito do Programa Bahia Produtiva com investimento de R$ 22,5 milhões. Com foco na conservação da biodiversidade aliada à inclusão socioprodutiva de comunidades tradicionais em UCs, o edital selecionou 34 propostas distribuídas em diversos territórios do estado. Os projetos contemplaram atividades como sistemas agroflorestais, extrativismo sustentável, turismo de base comunitária, restauração de nascentes e matas ciliares e implantação de viveiros.

“A experiência do edital demonstrou que conservação e inclusão socioprodutiva não são objetivos incompatíveis. Quando comunidades tradicionais encontram na biodiversidade uma fonte legítima de renda pelo turismo, pelo extrativismo responsável, pela agroecologia, a própria conservação se torna mais robusta e duradoura”, observa Mateus Camilo.

Além disso, por meio do Termo de Compromisso Socioambiental (TCSA) Porto Sul, com investimento superior a R$ 45 milhões, foram desenvolvidas ações de monitoramento, fiscalização e proteção da fauna e flora no Litoral Sul do estado, reforçando a presença institucional em uma área de relevância ecológica e pressão ambiental expressiva.

Fauna silvestre: números que revelam escala e compromisso

Os dados de atendimento à fauna silvestre oferecem uma dimensão concreta da capilaridade das ações desenvolvidas pela CGFAU. Em cinco anos, foram registrados mais de 58.052 atendimentos a animais silvestres — uma média de aproximadamente 1.018 casos por mês. Desse total, 28.153 animais foram reabilitados e devolvidos ao ambiente natural, o que representa 48,5% dos atendimentos.

“Mais de 58 mil atendimentos em cinco anos revelam a dimensão do problema que enfrentamos com a fauna silvestre no estado, que sofre com o tráfico, perda de habitat e conflitos com a urbanização. Cada animal atendido representa uma demanda real que chegou até nós. E o índice de reabilitação próximo a 50% mostra que a estrutura técnica que construímos tem dado respostas concretas a essa demanda”, afirma o coordenador de Gestão de Fauna, Alberto Vinicius Dantas.

Atualmente, dois Centros de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) estão em funcionamento. Para ampliar a cobertura territorial, quatro novas unidades estão em fase de projeto: o CETAS Sul (fauna terrestre), o CETAS Marinho Sul, o CETAS de Miguel Calmon e o CETAS de Paulo Afonso.

“A expansão da rede de CETAS é uma necessidade que os números já demonstram há algum tempo. Hoje atendemos com três unidades em operação, mas temos regiões do estado com cobertura insuficiente. Os quatro novos centros em projeto vão ampliar significativamente nossa capacidade de resposta, especialmente no Sul e no interior da Bahia. As Áreas de Soltura também são parte essencial dessa rede, sem destino adequado, a reabilitação perde sentido”, explica Alberto.

Foram cadastradas 41 Áreas de Soltura de Animais Silvestres (ASAS) nos três biomas, garantindo que os animais reabilitados retornem a ambientes adequados às suas espécies. Ações de Educação Ambiental voltadas à fauna silvestre foram realizadas em 22 municípios, e cerca de 120 estudantes de Medicina Veterinária, Biologia e Zootecnia são capacitados anualmente por meio de estágios no Parque Zoobotânico da Bahia e nos CETAS. Entre as iniciativas em curso, o Disque-Resgate de fauna amplia o acesso da população a canais de denúncia e atendimento, enquanto o monitoramento de polinizadores e a articulação com comunidades tradicionais compõem uma agenda mais recente de conservação de base territorial.

“A conservação dos polinizadores é uma frente estratégica que conecta biodiversidade, segurança alimentar e sustentabilidade produtiva. Assim como a integração da restauração ecológica às agendas de desenvolvimento sustentável, trata-se de uma abordagem que vai além da proteção pontual de espécies e atua sobre os processos que sustentam os ecossistemas como um todo”, destaca Mara Angelica.

Publicações, eventos e presença nas agendas globais

A produção técnica da DISUC inclui publicações de referência para a gestão ambiental no estado. A Lista de Espécies Exóticas Invasoras da Bahia, publicada em 2023, e o Guia para Gestão de Espécies Exóticas Invasoras, de 2025, são instrumentos orientadores para gestores públicos, pesquisadores e técnicos. A Cartilha de Conservação da Fauna Silvestre, lançada em 2022, amplia o alcance das diretrizes para um público mais amplo. No plano institucional, a Diretoria organizou eventos como a I Oficina sobre Fauna Silvestre, o I Encontro de CETAS Estaduais e o Encontro Nacional de Educadores realizado no Parque Zoobotânico de Salvador. A produção científica tem sido apresentada continuamente no Congresso Nacional de Zoológicos e Aquários desde 2019, e a participação na COP 16, em 2024, na Colômbia, e na COP 15 sobre Espécies Migratórias, em 2026, no Brasil, posicionam a Bahia em espaços decisivos das negociações internacionais sobre biodiversidade. A parceria França–Bahia reforça esse movimento de inserção internacional.

“Quinze anos de trajetória institucional nos mostram o quanto foi construído, mas também evidenciam o que ainda precisa avançar. A sustentabilidade financeira das unidades de conservação, a regularização fundiária e a ampliação da capacidade operacional são desafios que exigem soluções de longo prazo. O acúmulo técnico que temos hoje é o que nos permite enfrentá-los com mais consistência”, avalia Jeanne.

Quinze anos de existência do Inema se traduzem, no campo da sustentabilidade e conservação, em uma estrutura que avançou da criação formal de uma diretoria para a construção de uma política pública ambiental com presença real nos três biomas, nos oceanos e nas comunidades do estado.

Fonte
Matheus Santana - Ascom Sema
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Aniversário de 15 anos do Inema