Nesta quarta-feira (18), teve início o I Simpósio Internacional Cidades Médias e Pequenas e o VII Simpósio Cidades Médias e Pequenas da Bahia, realizado na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, Bahia. Com o tema "Políticas territoriais em cidades médias e pequenas: novas periferias, desigualdades e diversidades", o evento, que se estende até sexta-feira (20), é uma iniciativa da Rede Cidades Médias e Pequenas da Bahia (Rede CMP), com apoio da Secretaria Estadual do Planejamento (Seplan) e da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), que reúne acadêmicos, especialistas e gestores para debater os desafios e as novas abordagens sobre o desenvolvimento de cidades não-metropolitanas.
A abertura foi marcada por uma mesa institucional que contou com a participação do superintendente de Planejamento Estratégico da Seplan, Ranieri Barreto, e do diretor de Estudos da SEI, Edgard Porto, que destacaram a importância de olhar estrategicamente para a produção do espaço urbano não-metropolitano na perspectiva do planejamento público.
“A Bahia é um estado com 417 municípios, maior parte das cidades pequenas e médias, com graus diferenciados de desenvolvimento. Um estado que traz na sua gênese, como condição imanente, no seu processo de formação histórica e econômica, a pobreza e a desigualdade. Questões de difícil superação, mas que estamos tentando mitigar a partir do olhar de longo prazo”, afirmou o superintendente da Seplan.
Na sequência, marcando o Diálogo de Abertura, o debate com a presença do Prof. Dr. Arthur Withaker (Unesp), Dr. Denilson de Oliveira (UERJ) e da Dra. Inês Raimundo (UEM/Moçambique) conectou, numa abordagem sobre as questões das desigualdades e da diversidade, as particularidades das realidades do Brasil e da África. Sob a moderação da Prof. Dra. Alessandra Teles (UEFS), os palestrantes apresentaram um caminho para o entendimento das transformações urbanas e rurais em cidades de pequeno e médio porte, destacando as novas configurações periféricas que surgem nesses espaços. De acordo com o professor Denilson de Oliveira, com base na distribuição da população brasileira, as cidades médias e pequenas são majoritariamente negras.
Um dos pontos altos do debate foi a contribuição da Dra. Inês Raimundo, que trouxe o contexto africano ao discutir as diferentes realidades urbanas de Moçambique, enriquecendo o encontro com comparações, para ampliar a compreensão das dinâmicas globais nas cidades médias.
Durante a tarde, a Mesa Redonda 1, intitulada "Novas lógicas nas periferias: direito à cidade vs. interesses econômicos em espaços não-metropolitanos", apontou a tensão entre o direito à cidade e os interesses econômicos que definem o crescimento urbano em áreas periféricas. Com a participação da Profª. Drª. Silvia Lopes Monteiro (Universidade de Cabo Verde), Profª. Drª. Giselle Megumi Martino Tanaka (IPPUR/UFRJ) e Profª. Drª. Aleselma Silva Pereira (UESB), sob a moderação da Profª. Drª. Rizia Mendes Mares (UPE), a mesa destacou os impactos das políticas públicas nas periferias, as dinâmicas de urbanização de cidades baianas e as lutas pelo direito à cidade.
Pesquisador da Rede CMP, organizador e participante do simpósio desde a sua primeira edição, o Prof. Dr. Jânio Roque de Castro (UNEB) analisa que a perspectiva isolacionista e fragmentária é um dos grandes problemas observados quando falamos das cidades médias e pequenas da Bahia:
“Muitas cidades são particularizadas do ponto de vista da gestão dos seus problemas. O desafio é fazer a gestão e o planejamento urbano integrado, transescalar e multidimensional, abarcando a dimensão cultural, ambiental, política e econômica, essas são muitas das dimensões que devem ser articuladas territorialmente na gestão dessas cidades”, avalia.
Mais discussões prometem aprofundar a temática nos próximos dois dias, com novas mesas redondas e debates que visam refletir sobre o futuro das cidades médias e pequenas no Brasil e no mundo. Além disso, a programação realizará uma oficina com o tema: "Planejamento e Gestão Governamental – uma visão estratégica situacional e participativa", realizada pela coordenadora da Superintendência de Planejamento Social, Andréa Pereira, e também atividades culturais como lançamento de livros e apresentações musicais.