A tarde desta terça-feira (25) foi dedicada ao cuidado e à conscientização durante a Roda de Conversa sobre a Saúde do Homem, promovida pela Procuradoria Geral do Estado (PGE-BA), por meio do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento (CEA), dentro da programação do Novembro Azul. O encontro, realizado no Auditório Paulo Spínola, reuniu colaboradores, em especial o público masculino da instituição, que participou atentamente das discussões.
Ao abrir o evento, o Procurador do Estado Mário Lima ressaltou a importância da iniciativa e apresentou os convidados. Ele destacou que o cuidado integral não se limita às consultas médicas, mas envolve o cuidado com o corpo, bem como com a mente.
Em seguida, o psicólogo Mateus Luz conduziu a primeira fala, trazendo a perspectiva da saúde mental masculina. Para ele, “o primeiro passo da saúde mental é enfrentar ideias que machucam, admitir que você está inteiro, mesmo com conflitos ainda sem resolução, pelo menos você não está fingindo para si mesmo. Quem vive no superficial está mais propenso ao adoecimento”.
Mateus chamou atenção para a forma como a saúde mental dos homens é frequentemente banalizada nos seus círculos sociais. Explicou que, culturalmente, ainda persiste a expectativa de que homens não demonstrem fragilidade. Nesse contexto, expressar sofrimento emocional pode ser interpretado como motivo de ridicularização, o que faz com que muitos silenciem suas questões. Esse comportamento coletivo reforça estigmas, afasta homens dos cuidados preventivos e amplia o risco de adoecimento.
Na sequência, o urologista Frederico Costa Neto apresentou informações sobre a saúde física masculina e discutiu como a pressão para cumprir papéis associados a ser “homem”, “imortal” ou “macho” contribui para que os homens adoeçam mais do que as mulheres. Segundo o especialista, “as brincadeiras jocosas denotam o preconceito do homem que não consegue compreender que prevenção é uma questão de saúde”.
O médico explicou as principais doenças que acometem o público masculino no século XXI, como hiperplasia prostática benigna, prostatite, câncer de próstata, síndrome metabólica, disfunção erétil, deficiências hormonais, hipertensão e diabetes, conforme apresentado nos slides expostos durante a conversa.
Um dos pontos centrais da exposição foi a importância do exame de toque retal, responsável pelo diagnóstico exclusivo de aproximadamente 20% dos casos de câncer de próstata. Ele reforçou que a detecção precoce aumenta significativamente as chances de tratamentos menos invasivos, que muitas vezes dispensam cirurgia. O urologista também comparou a abordagem brasileira com a prática adotada nos Estados Unidos: enquanto pacientes norte-americanos seguem, com maior frequência, protocolos não cirúrgicos quando indicados, muitos homens brasileiros insistem na cirurgia mesmo quando ela não representa a melhor alternativa.
O médico ainda esclareceu que não há evidências científicas que relacionem atividade laboral ao desenvolvimento de câncer de próstata. De acordo com ele, os fatores de risco mais consistentes envolvem histórico familiar e predisposição genética.
Após as apresentações, o diálogo se abriu para perguntas do público, favorecendo um espaço de troca e esclarecimento de dúvidas. Rogério Couto, colaborador do Projeto Primeiro Emprego, destacou a relevância da iniciativa:
“Para mim, que estou começando minha trajetória profissional, momentos como este são fundamentais. A gente chega cheio de expectativas e, muitas vezes, esquece de olhar para si. Ouvir profissionais que falam de forma clara e acessível sobre saúde física e emocional ajuda a quebrar preconceitos e a entender que cuidar de si também faz parte da vida profissional.”
O enfoque na saúde integral masculina representa uma quebra importante de paradigmas, reforçando que a prevenção e o cuidado contínuo são responsabilidades de todos.