Representatividade como vetor de mudança marca palestra de Daiesse Jaala, lota auditório e reforça debate sobre equidade racial na PGE-BA

27/11/2025

A PGE-BA promoveu, na tarde desta terça-feira (26), a palestra de Daiesse Jaala, que integrou a programação do Novembro Negro da instituição. O evento lotou o Auditório Paulo Spínola de pessoas para acompanhar as reflexões da convidada, conhecida por sua atuação nas áreas de inclusão, políticas públicas e igualdade racial.

 

A abertura foi feita pelo Procurador do Estado Adriano Ferreira da Silva, que destacou a relevância do encontro para o fortalecimento da representatividade e da inclusão no serviço público. Ele afirmou que “hoje, não estamos aqui diante de uma palestra, estamos diante de uma oportunidade de transformação. Vivemos num país onde, nossa voz e nossa luta precisa ter cada vez mais voz para mudar essa realidade. Estamos aqui para inspirar jovens negros e negras a ocuparem através da educação e do trabalho, os lugares de destaque que nos pertence.".

 

Durante sua fala, Jaala, que é Chefe da Divisão de Auditoria de Licitações e Contratos da Advocacia-Geral da União (AGU), além de Auditora de Controle Externo, advogada, professora e presidente da Comissão de Diversidade Racial do Instituto Brasileiro de Direito Administrativo (IBDA), iniciou prestando homenagem aos pais, presentes no auditório, e relembrou sua trajetória na periferia de Salvador, ressaltando o papel central da educação na mudança de sua realidade. Citando Nelson Mandela, afirmou que “a educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.”.

 

Ao apresentar imagens de sua infância e do momento em que palestrou na ONU, refletiu sobre o simbolismo dessa presença em um espaço internacional, questionando quantas meninas da periferia têm a oportunidade de ter suas ideias ouvidas, debatidas, discutidas e consideradas em ambientes de decisão global.

 

A palestrante também criticou a ideia de “meritocracia pura”, afirmando: “Eu não sou defensora de uma meritocracia pura, isso é falácia. Não é só dizer: ‘se esforce que você consegue’. Eu tive oportunidades, e foram essas oportunidades e ferramentas que me trouxeram aqui”. Ela relatou sua experiência em Angola, onde observou a presença significativa de pessoas negras em posições de poder, em contraste com a realidade brasileira.

 

Defendeu enfaticamente as políticas afirmativas como mecanismos indispensáveis para enfrentar desigualdades estruturais. “A determinação, o sonho e o propósito precisam encontrar ferramentas e oportunidades. Sem isso, não adianta. Por isso que sou extremamente defensora das políticas afirmativas. Precisamos de políticas que reduzam essa desigualdade, uma desigualdade estrutural em nosso país. É necessário ter debates, mas essencialmente de políticas especificas para mudar essa realidade.”.

 

Ao longo da exposição, apresentou conceitos fundamentais para compreender o funcionamento do racismo na sociedade brasileira. Explicou afasia racial como a dificuldade coletiva de falar sobre raça, especialmente em grupos historicamente privilegiados, o que impede o reconhecimento das desigualdades. Abordou o letramento racial crítico como o processo de capacitar indivíduos a identificar, compreender e enfrentar desigualdades raciais, ampliando a consciência e promovendo justiça. Destacou ainda o mito da democracia racial, que sustenta a falsa ideia de ausência de racismo no Brasil, ignorando desigualdades históricas e sociais vividas pela população negra. Após contextualizar esses conceitos, provocou o público: as organizações realmente refletem a diversidade da sociedade? E reforçou: “Representatividade importa, porque a gente muda os símbolos”.

 

Em outro momento marcante, exibiu um vídeo com crianças e lançou um alerta sobre a responsabilidade coletiva na construção de futuro e legado. A partir daí, aprofundou uma reflexão central de sua fala: por que populações que são numericamente majoritárias tornam-se tratadas como minorias sociais? Explicou que esse processo é fruto de estratégias históricas de dominação, que incluem hierarquias coloniais, perseguição a expressões culturais, desvalorização estética e indenitária, apagamento de saberes ancestrais e mecanismos contínuos de exclusão que moldam a ocupação - ou a ausência - de pessoas negras em espaços de poder.

 

A palestra foi marcada por depoimentos, análises e provocações que reforçaram a necessidade de intencionalidade institucional para promover equidade e inclusão, alinhando-se às ações da PGE-BA voltadas ao enfrentamento do racismo e ao fortalecimento da diversidade.

Fonte
ASCOM PGE-BA
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