11/02/2025
A Procuradoria Geral do Estado da Bahia (PGE-BA) realizou, na manhã desta segunda-feira (11), no Auditório Paulo Spínola, a palestra "A China que vem: Decifrando impactos para a Bahia e para o mundo". O evento, promovido pelo Centro de Estudos e Aperfeiçoamento (CEA) da PGE-BA, contou com a participação do economista Rodrigo Zeidan, professor da NYU Shanghai e da Fundação Dom Cabral, colunista da Folha de São Paulo e pesquisador sênior do Center for Sustainable Business (NYU Stern). A mediação foi conduzida pelo Procurador do Estado Ailton Cardozo.
O encontro foi aberto ao público mediante inscrição prévia e direcionado a servidores, gestores, empresários e todos os interessados em compreender a crescente influência da China no cenário global e os seus impactos diretos na Bahia. Durante a palestra, Zeidan abordou temas essenciais, como a ascensão da China enquanto potência mundial, suas políticas econômicas, inovações tecnológicas, dinâmicas geopolíticas, cadeias produtivas, fluxos de investimento e relações internacionais.
Diretamente de Xangai, Rodrigo Zeidan apresentou uma análise detalhada sobre o papel da China na economia global e destacou como o país influencia diretamente diversos setores, incluindo comércio, tecnologia e infraestrutura. Para isso, o economista propôs uma abordagem baseada em três dimensões fundamentais:
Pessoas – A sociedade chinesa se estrutura de forma altamente competitiva, desde a educação até o mercado de trabalho. O aprendizado contínuo é incentivado como meio de ascensão social e econômica.
Empreendedores – Os empresários chineses valorizam contratos claros e bem definidos, além de negociações objetivas e pragmáticas. Embora não atuem com planejamento estratégico de longo prazo, exigem transparência e segurança jurídica nos negócios.
Políticos locais – O governo chinês adota um modelo meritocrático, no qual a legitimidade se sustenta no cumprimento de metas e na manutenção da estabilidade social.
O Contrato social chinês
Um dos pontos centrais da palestra foi a explicação sobre o chamado "contrato social chinês", que rege as relações sociais e econômicas no país. Segundo Zeidan, a estrutura da sociedade chinesa se baseia nos seguintes pilares:
A família ocupa a posição central, seguindo os princípios do confucionismo; pais investem fortemente na educação dos filhos, esperando retorno financeiro no futuro; relações sociais são guiadas pelo pragmatismo e pelo interesse mútuo; o governo tem um papel reduzido na segurança financeira dos cidadãos, com baixa dependência do sistema público de aposentadoria e saúde.
Ao comentar sobre essas particularidades, o economista destacou: “Não tem como entender a China com a mente de brasileiro. É preciso compreender que se trata de outra cultura. Não se trata de certo ou errado, mas de reconhecer que o contrato social da China não requer uma democracia. O lema e a prática são que as famílias se protegem.”, ressaltou.
Zeidan também abordou as oportunidades que a Bahia pode aproveitar diante da crescente influência chinesa. Segundo ele, o estado tem potencial para atrair investimentos chineses em setores como comércio, tecnologia e infraestrutura. Para isso, é essencial compreender a lógica empresarial do país asiático. Entre as principais lições destacadas na palestra, estão:
O empresário chinês prioriza lucro e segurança em seus investimentos; as negociações costumam ocorrer com governos locais, responsáveis diretos pela população; propostas bem estruturadas e detalhadas são fundamentais para atrair investidores chineses; a burocracia deve ser técnica e ágil, sem entraves desnecessários; o cumprimento estrito dos contratos é essencial para a confiança mútua nos negócios.
Por outro lado, o economista apontou desafios enfrentados pelos chineses ao negociar com brasileiros, como diferenças culturais que influenciam as decisões empresariais, expectativas elevadas do setor público brasileiro e dificuldades na formulação de contratos objetivos e diretos.
Reflexões e perspectivas
A palestra de Rodrigo Zeidan na PGE-BA gerou grande interesse e repercussão, reunindo um público diversificado e engajado. O evento proporcionou um espaço de diálogo e reflexão sobre a importância da China no cenário global e suas implicações para a Bahia e o Brasil.
Fotos: Maria Eduarda Cordeiro e Patricia Lins / Ascom - PGE-BA