A reativação da Hidrovia do São Francisco foi tema de debate, na manhã desta sexta-feira (01), na Secretaria Estadual do Planejamento (Seplan), durante reunião do Grupo de Trabalho Intersetorial (GTI) de Logística. Criado pelo Governo do Estado, o GTI tem como objetivo elaborar estudos e projetos logísticos alinhados aos investimentos em andamento no setor em todo o país.
Com 1.371 km de extensão, entre Pirapora (MG) e Juazeiro (BA)/Petrolina (PE), a Hidrovia do São Francisco é a ligação mais econômica entre as regiões Nordeste e Sudeste. A navegação comercial no Rio São Francisco está suspensa desde julho de 2014, devido ao assoreamento no canal de navegação.
O assessor especial da Seplan, Antônio Alberto Valença, lembra que, apesar da existência de hidrovias relevantes no país, como a do Prata e as da Amazônia, o modal hidroviário historicamente recebeu pouca atenção no Brasil. Ele destaca que a hidrovia costuma funcionar como modal complementar, exigindo integração com outros meios de transporte para ser viável. Nesse cenário, a Hidrovia do São Francisco tem uma vantagem estratégica: “Ela começa ou termina em Juazeiro e Petrolina, cidades localizadas no centro geográfico do Nordeste. A distância dessas cidades para as capitais está na média de 500 km, o que é relativamente pequeno e favorável à intermodalidade”, afirmou.
Instituído pelo Decreto nº 23.428, de 10 de fevereiro de 2025, o GTI conta com 12 membros (titulares e suplentes) e reúne representantes das secretarias de Planejamento (Seplan), Casa Civil, Infraestrutura (Seinfra), Desenvolvimento Urbano (Sedur) e Desenvolvimento Econômico (SDE), além da SEI e da BahiaInveste. A iniciativa busca fortalecer a infraestrutura logística como vetor de crescimento. Entre as suas atribuições estão a elaboração de um diagnóstico sobre as políticas de transporte multimodal no Brasil e na Bahia, o desenvolvimento do Plano Estadual de Logística de Transporte Multimodal e a proposição de soluções para reduzir gargalos logísticos e atrair investimentos sustentáveis, impulsionando o desenvolvimento regional e a competitividade da economia baiana.
Bahia como hub logístico
Na tarde desta sexta-feira (01), as possibilidades de interligação ferroviária entre o Sudeste e o Nordeste, com potencial de transformar a Bahia em um hub logístico para o Brasil, foram apresentadas pelo assessor especial da Seplan, Ronald Lobato, e pelo representante da BahiaInveste, Floro Freire, aos membros do Conselho de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb).
Entre as ações em andamento, foram destacadas a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), que se conectará à Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), formando um corredor de alta capacidade entre o interior do país e o litoral; a Ferrovia Transnordestina, um dos maiores projetos ferroviários do Brasil, voltado para exportação de grãos, minério e outros produtos; a Ferrovia do Grupo Petrocity, já autorizada pela ANTT, que ligará o Espírito Santo ao Distrito Federal; e a Ferrovia Feira-Salvador, em análise pela ANTT, projeto pioneiro no novo marco legal, com modelo 100% privado.
Os estudos apresentados reforçam que a nova rede ferroviária da Bahia será planejada para integrar diferentes modais de transporte, garantindo eficiência no escoamento de cargas e na circulação de passageiros. A interoperabilidade também é um ponto central, permitindo que as conexões ferroviárias operem de forma articulada com outras redes, criando um sistema abrangente e eficiente.