A força das mulheres negras e o legado ancestral da cultura afrodescendente ganharam destaque na atividade formativa promovida pela Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC), nesta quarta-feira (30), no auditório da sede do órgão, no Centro Administrativo da Bahia (CAB). A ação celebrou o 25 de Julho, Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. A programação envolveu servidores e convidadas, que participaram de vivências e reflexões sobre identidade, luta e valorização da cultura negra.
Com o tema “Promovendo e valorizando a cultura negra na formação da sociedade”, a atividade propôs experiências potentes que conectam trajetórias e saberes transformadores. Coordenada pelas equipes da Educação Antirracista (CEARD) e de Arte e Cultura Estudantil (CACE), a iniciativa está alinhada à Lei n° 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-brasileira nas escolas. “Pensamos nesta atividade como forma de celebrar o Julho das Pretas e, também, abordar a educação financeira como um instrumento de autocuidado”, afirmou Carla Nogueira, coordenadora da CEARD.
Entre os destaques da programação, a oficina “Dinheiro nasce em árvore”, conduzida pela educadora e gestora financeira Átila Lima, tratou do tema como uma ferramenta de libertação. Com linguagem acessível, a ação dialogou com as realidades de mulheres negras, estudantes e educadoras, promovendo autonomia e equilíbrio. “Apresentamos conceitos práticos, rompendo com a zona de conforto e incentivando uma gestão financeira leve e eficaz”, destacou a facilitadora. A proposta reforça que o conhecimento sobre finanças é essencial para o bem-estar pessoal e coletivo.
Bahia Negra
A abertura do evento ficou por conta de Liz Véles, jovem egressa do Ensino Médio do Centro Estadual de Educação Profissional Isaías Alves (CEEP), no Barbalho, e, atualmente, integrante do Programa Primeiro Emprego, ligado à Superintendência de Políticas para a Educação Básica da SEC. Na ocasião, ela declamou dois poemas de sua autoria: “Não nascemos correntes” e “Terras quilombolas”. As poesias, produzidas como parte de uma atividade escolar, abordam o racismo, a liberdade e a resistência, entre outros temas. “Refleti sobre a memória quilombola e transformei em versos essa força ancestral que impulsiona a luta por igualdade”, afirmou a jovem autora.
Também integrou a programação o lançamento do livro "A de afro: uma pequena enciclopédia visual da Bahia Negra", de autoria da escritora Isadora Cruz e do ilustrador Patek. A obra reúne ilustrações e biografias que celebram personalidades e territórios negros baianos. “Queremos oferecer referências positivas de mulheres negras para inspirar nossas crianças e jovens”, pontuou Isadora. O livro traz um encarte com sugestões pedagógicas antirracistas voltadas aos ensinos Fundamental e Médio. “Nosso foco é valorizar a identidade e ampliar o protagonismo da juventude negra da rede pública”, reforçou Patek.