Estudantes que atuam no Maria Felipa LAB são premiados em Feira Internacional de Iniciação Científica

15/12/2025


Estudantes que desenvolvem projetos no Maria Felipa Lab, laboratório de fabricação digital do Instituto Anísio Teixeira (IAT), foram premiados durante a Feira Internacional de Iniciação Científica (FENIC). O grupo foi vencedor na categoria Ciências da Natureza – Prêmio projeto Destaque FIAP- ALURA.

No FENIC, os estudantes apresentaram dois projetos que unem tecnologia, educação ambiental e cultura maker: Yacaraí, que foi premiado, e o ECOLUME.

“Este projeto foi algo inédito para mim e trouxe muitas experiências novas, além de um grande aprendizado. Desde a escrita do artigo científico e do plano de pesquisa — etapas que eu nunca havia realizado antes — até a elaboração do projeto em si, com o desenvolvimento das ideias e de toda a sua estrutura. Subir ao palco e receber aquele prêmio foi, sem dúvida, uma sensação inesquecível”, refletiu o estudante Alisson Alves.

O estudante contou ainda que apresentar o projeto na feira foi algo extremamente marcante. “A recepção que tive foi incrível. Os elogios ao projeto, o interesse e a aprovação dos avaliadores, assim como o retorno positivo das outras pessoas, foram muito gratificantes. Além disso, as amizades que construí durante o evento tornaram tudo ainda mais especial”, avaliou.

“A experiência de participar da Fenic foi muito boa. É uma ótima vivência para nós. Conseguimos desenvolver novas técnicas e experiências que nos ajudaram a ganhar o prêmio destaque”, afirmou Joana Bispo.

O Ycaraí foi desenvolvido para promover a educação oceânica entre crianças e adolescentes, tornando mais acessível o entendimento sobre a importância dos corais e o impacto da poluição marinha. O jogo de tabuleiro criado pela equipe utiliza blocos de comando que simulam um ambiente marinho poluído, no qual o jogador precisa limpar a área e salvar animais em risco, integrando lógica de programação com educação ambiental. Seguindo os sete princípios da Educação Oceânica, o projeto também oferece materiais didáticos que podem ser aplicados por professores, especialmente em escolas públicas. A proposta lúdica combate o eco-pessimismo e facilita a compreensão dos desafios ambientais de maneira prática e significativa.

O ECOLUME surgiu da necessidade de criar instrumentos acessíveis para monitoramento da qualidade da água em regiões afetadas por derramamentos de petróleo, como o que atingiu o litoral brasileiro em 2019. Para enfrentar essa realidade, os estudantes desenvolveram um protótipo de baixo custo utilizando Arduino e sensores acessíveis — como o TCS34725 (sensor de cor), o MQ2 (sensor de gás) e um sensor de condutividade elétrica. Testado com água limpa e amostras contaminadas com óleo de cozinha, gasolina e diesel, o dispositivo conseguiu identificar diferenças claras entre água limpa e água altamente contaminada. Embora ainda apresente limitações em concentrações intermediárias, o ECOLUME demonstra grande potencial educativo e social, aproximando ciência e comunidade e alinhando-se aos princípios da Cultura Oceânica da UNESCO e ao ODS 14 — Vida na Água.

O projeto premiado, o Ycaraí, foi desenvolvido pelos estudantes Alisson Alves, Joana Bispo e Eduardo Conceição e o ECOLUME pelos estudantes Cleyton Alves de Almeida, Ilana Oliveira e Yuri Ramos. Os projetos tiveram orientação da professora formadora do IAT, Jessika Alves, e coorientação do articulador Pedro Francisco Gomes Neto e do coordenador de Cultura Maker e Aprendizagem Criativa do IAT, Arlindo Matheus, que acompanham o desenvolvimento científico, criativo e formativo dos jovens.

“Estar com os estudantes neste movimento de participação em feiras de iniciação científica é muito bom, porque eles aprendem bastante, amadurecem no processo, tendo que pesquisar, escrever com um olhar mais científico, atentos em relação às referencias, às palavras que utilizam, aos métodos que aplicam. Então acho que o prêmio foi só a cereja do bolo no ano de 2025, porque todo o trabalho que foi realizado foi mesmo a conquista do ano e para a vida deles, porque é muito importante estar em um contexto como este, de colaboração, compartilhamento de ideias e um trabalho bem consciente, cheio de intenção. Estou muito feliz por eles e por estar fazendo parte deste momento”, contou o articulador Pedro Francisco Gomes

“A participação dos estudantes na FENIC reforça o compromisso do IAT em incentivar a iniciação científica, fortalecer a cultura maker e promover a educação ambiental como parte essencial da formação integral dos jovens. Os projetos ECOLUME e Ycaraí evidenciam o protagonismo estudantil e mostram como a ciência e a tecnologia, quando integradas à escola pública, são capazes de transformar realidades e inspirar novas gerações”, destacou o coordenador de Cultura Maker e Aprendizagem Criativa do IAT, Arlindo Santiago.

O Maria Felipa Lab

Um espaço maker localizado dentro do Instituto Anísio Teixeira que oferece um ambiente completo de fabricação de soluções de baixa e alta tecnologia tornando possível a transformação de ideias em realidade. Um lugar criativo e colaborativo onde educadores e estudantes de toda a Bahia podem explorar e desenvolver produtos e projetos inovadores.

Inaugurado em abril de 2023, o laboratório, que homenageia uma das heroínas da Independência da Bahia, foi desenvolvido pelo IAT para ser um local de formação, pesquisa e aprendizagem e tem como objetivo formar profissionais da educação e estudantes em ciências, prototipação e cultura maker e fomentar a produção contínua de recursos educacionais analógicos e digitais. Além de trazer todo o contexto histórico por trás do nome de Maria Felipa, o laboratório traz também uma identidade com o mundo, integrando soluções através da cultura maker, produzindo projetos de eletrônica, de fabricação digital, sempre pensando na sustentabilidade e na colaboração e contribuindo para a liberdade tecnológica e construção da autonomia de professores, estudantes e comunidade.

No Maria Felipa Lab, educadores e estudantes podem utilizar o espaço sem custo algum, interagindo com outros profissionais para trocar experiências e conhecimentos. Além disso, contam com o apoio da equipe da equipe da Coordenação de Aprendizagem e Cultura Maker do IAT no desenvolvimento de seus projetos, com acesso a uma variedade de ferramentas e equipamentos de primeira linha. Desde a sua inauguração, o laboratório já recebeu 594 visitantes, dentre educadores e estudantes.

Programa de Monitoria (Padawans)

Fruto de uma parceria entre o Instituto Anísio Teixeira (IAT) e o Colégio Estadual de Aplicação Anísio Teixeira - CEAAT, o programa de monitoria busca integrar os estudantes do colégio ao uso de ferramentas e metodologias de gerenciamento de projetos que, conjuntamente ao currículo, estabeleça uma ponte entre o uso dos recursos disponíveis no Maria Felipa Lab e as disciplinas que eles cursam regularmente. 
Iniciação Científica Jr.

Em parceria com a Universidade do Estado da Bahia (UNEB), por meio do edital de Iniciação Científica Júnior, foi garantida a habilitação de 10 bolsistas, apoiados tanto pela UNEB quanto pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Esses estudantes, que são do Colégio de Aplicação Anísio Teixeira, atuam no Maria Felipa LAB e são orientados pelo articulador maker do Instituto Anísio Teixeira (IAT), Pedro Francisco Gomes Neto, que desempenha o papel de preceptor.

Ao longo de 12 meses, os bolsistas passam por um processo de aprendizagem em lógica de programação, eletrônica, modelagem 3D e manuseio de máquinas, enquanto desenvolvem projetos práticos. Entre esses projetos estão a Rede de Monitoramento do Clima, composta por estações meteorológicas, e o Mini Maker Lab, que introduz conceitos de eletrônica. Durante esse período, os estudantes também receberão bolsas para apoiar sua formação e o desenvolvimento dos projetos.
 

Fonte
ASCOM/IAT
Tags
Maria Felipa Lab