10/09/2015
Com a participação da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), por meio da Coordenação de Políticas para a Juventude da Superintendência de Apoio e Defesa aos Direitos Humanos, foi realizada hoje (10) a I Conferência Livre de Juventude LGBT, no campus de Ondina da UFBA, em Salvador. O tema “Por uma Bahia e um Brasil que respeite a diversidade sexual e de gênero” orienta a etapa, que irá encaminhar contribuições para a 3ª Conferência Estadual LGBT e a 3ª Conferência Nacional de Juventude (3ª ConfJuv).
Na abertura da conferência, o deputado Bira Corôa, presidente da Comissão de Promoção da Igualdade da Assembleia Legislativa da Bahia, sinalizou a importância e a atualidade das discussões de gênero, que devem ser debatidas para se alcançar políticas afirmativas para o segmento. "A conferência acontece em um momento político importante que estamos vivendo. Existem aqueles que querem recuar no processo democrático e precisamos estar atentos a isso. Algumas conquistas foram consolidadas, a exemplo da abertura das universidades, que hoje estão mais acessíveis aos estudantes de escolas públicas da periferia. Por outro lado, estamos vendo uma articulação religiosa e econômica que está tentando impedir que a questão de gênero seja incluída nos planos municipais de educação", alertou.
A secretária executiva do Conselho Nacional de Juventude, Tamara Terso, reforçou "estamos vivendo uma grande luta nacionalmente em relação aos Planos de Educação. Precisamos nos reorganizar, porque a educação é um importante espaço simbólico de emponderamento, e a estamos vendo essa possibilidade de avançar na educação se esvair. Nós queremos nos ver na educação, nos enxergar, fazer parte da construção das matrizes curriculares", disse Terso.
Ela lembrou ainda que em 2015 se comemora 10 anos de políticas públicas para a juventude no Brasil. "Nesses 10 anos, conseguimos aprovar, em 2013, o Estatuto da Juventude, que já nasce numa perspectiva bem avançada, incluindo o tema da diversidade, e conseguimos, nesse período, o alargamento da participação democrática no Brasil".
Representando a Coordenação de Políticas para a Juventude, Luana Soares sinalizou, na abertura da conferência, a importância da Conferência Livre, antecedendo as etapas estadual e nacional. "Esse é um espaço importante para atualizarmos nossos sonhos, nossos desejos e necessidades, para levarmos esse olhar sobre questões de gênero e sexualidade ao poder público, que precisa ser injetado dessa visão. Nesse fórum, a juvetude LGBT está pensando sobre as várias formas de mudar essa realidade ainda excludente para esse segmento", disse.
A vice-presidente do Conselho Estadual LGBT, Amélia Maraux, reforçou a recomendação de transversalizar os temas e questões. "Nesse espaço temos a medida do que representa essa união de pessoas para enfrentar um processo conservador e de desgaste da nossa democracia. Estamos num ano em que várias conferências vão acontecer. Essa conferencia livre tem papel importante para que as conferencias territoriais, estadual e nacional LGBT possam transversalizar as varias categorias dos sujeitos, o negro, pessoas com deficiência, quilombolas, indígenas. É um momento de debater aquilo que, com muita dificuldade, já conseguimos, e também de ampliar conquistas e buscar aquelas que ainda não foram efetivadas".
O diretor LGBT da União Nacional dos Estudantes (UNE), Augusto Oliveira, marcou, em sua fala, a importância de fortalecer sobretudo a luta pelos direitos das pessoas trans, considerado o segmento mais vulnerável dentro da luta LGBT. "Os trans ainda não conseguiram ser reconhecidos, ter visibilidade, inclusive não conseguiram acessar a inserção nos espaços acadêmicos", alertou.
A Conferência Livre segue até o final do dia com os grupos de trabalho que discutem os temas: Educação para o respeito à diversidade sexual e de identidade de gênero; Saúde da Juventude LGBT; Cultura e Comunicação; Estratégias de Enfrentamento a Violência e a Discriminação.