11/11/2015
As bandas de fanfarra dos colégios da rede estadual costumam ser a porta de entrada para a prática da música. A possibilidade de aprender a tocar um instrumento e construir uma prática coletiva pode ser transformadora para muitos adolescentes e jovens baianos. Esta é a razão pela qual o governador Rui Costa lançou, no último dia 4, dentro do pacote de ações sociais do Pacto pela Vida, uma parceria do Neojiba com o Educar para Transformar. O objetivo da parceria é promover o fortalecimento e estruturação das fanfarras e coros das escolas estaduais na Bahia.
A primeira ação foi a Capacitação para Mestres de Fanfarra, que ocorreu de 26 de outubro a 1º de novembro, em dois colégios da rede pública de ensino de Salvador. Durante a qualificação, o Neojiba apresentou aos mestres das fanfarras uma nova proposta pedagógica para as bandas, com novas abordagens e referências para o ensino da música, mudança na instrumentação e novos materiais didáticos. “A gente precisa se atualizar. Os novos alunos não querem mais os instrumentos arcaicos. Eu peguei um material didático maravilho para trabalhar com a minha fanfarra”, afirmou Isa Maria Mendes, mestre há 12 anos e atualmente à frente da banda do Colégio Raphael Serravale.
A programação agradou os mestres e contribuiu para aprimorar o trabalho que desenvolvem nas bandas. “Para mim, esse curso foi a melhor coisa que aconteceu. Nunca tivemos algo tão rico. Sempre fiz meu trabalho na base da curiosidade, agora estou aprendendo de forma mais técnica”, afirmou Grimaldo Bonfim, que trabalha com bandas há 45 anos e hoje atua na Secretaria de Educação (SEC) no apoio aos grupos.
“Este foi apenas o primeiro passo de uma longa jornada, para que possamos juntos, Neojiba, Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social e SEC, fortalecer nossas fanfarras e levar a música para mais crianças e jovens em todo o Estado da Bahia”, afirma Beth Ponte, diretora institucional do programa.
Neojiba – O Neojiba é um programa do Governo do Estado, realizado pela Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social, que promove a integração social por meio da música. O projeto de revitalização das fanfarras está sendo realizado em parceria com a Secretaria da Educação (SEC).
Metodologia - Helder Passinho Jr., responsável pelo curso e coordenador de trompetes do Neojiba, e Cleide Araújo, da Coordenação de Educação Integral da SEC, realizaram visitas técnicas às escolas da rede estadual de ensino e construíram um diagnóstico da situação atual das bandas escolares antes do encontro. A partir deste trabalho, o Neojiba elaborou uma proposta de projeto pedagógico que foi apresentado durante o curso de capacitação. Participaram do encontro 31 mestres de bandas de 44 colégios estaduais da Região Metropolitana de Salvador.
A ideia é oferecer aos mestres formação em linguagem musical, para que eles possam multiplicar este conhecimento junto aos alunos da rede pública de ensino. “É muito importante oferecer esse leque de novos conhecimentos para os mestres, pois a maioria é autodidata, do ponto de vista da formação musical”, disse o coordenador.
Além desses pontos, a proposta contempla o incentivo à prática da música de câmara e a consultoria para estímulo à produção autoral e conhecimento de composições e arranjos. A ideia de incentivar a formação de pequenos grupos dentro das bandas é para desenvolver e promover o sentido de liderança e responsabilidade.
Regentes de fanfarras são voluntários no trabalho de levar formação musical às escolas públicas
“O que despertou meu interesse pela música foi a fanfarra da minha escola”, conta Henrique Queiroz, mestre da banda do Colégio Estadual Américo Brandão, em Lauro de Freitas. Ele desempenha o trabalho como voluntário, como a maioria dos mestres de fanfarra da rede pública estadual de ensino. Durante o dia, Queiroz tem um emprego formal e à noite, depois do trabalho, está na escola dando aulas para a fanfarra ou individualmente.
O músico e regente Oberdã Fradique também teve seu primeiro contato com a música através da fanfarra do Colégio Estadual Governador Antônio Carlos Magalhães. “Comecei como aluno, depois monitor e, em seguida, co-regente, ou seja, o imediato do maestro. Aprendi muito. Quando saí, passei pelas bandas de diversos colégios como ICEIA e Central, que tinham muita tradição”, conta Oberdã. “Depois de algum tempo voltei para o Colégio ACM e assumi a fanfarra. Foram 10 anos de muito trabalho”. Oberdã Fradique relata que há dois anos foi convidado para assumir a fanfarra do Colégio Luís Viana, que segundo ele estava parada e tinha alunos sem experiência alguma no campo da música.
“É comum ex-integrantes das fanfarras retornarem de forma voluntária à escola para contribuir com o crescimento dos novos estudantes. Porém, muitos não têm experiência com leitura de partitura e desconhecem elementos importantes para o desenvolvimento da formação musical dos estudantes”, explica Helder Passinho, coordenador de trompetes do NEOJIBA e responsável pela 1º Capacitação para Mestres de Fanfarra. Oferecer a oportunidade para que esses mestres possam se qualificar e aprimorar o trabalho que desenvolvem com as bandas foi o principal objetivo do curso.
Já Mateus Lago, regente da fanfarra do Colégio Severino Vieira, tem um percurso diferente da grande maioria dos mestres das bandas escolares. Começou sua trajetória musical nas fanfarras, mas depois buscou uma formação mais consistente e se graduou em música. Retornou ao Colégio Severino Vieira posteriormente para atuar como voluntário.
“O trabalho de iniciação musical oferece uma base mais sólida para o desenvolvimento dos alunos”, acredita Mateus. Apesar da sua bagagem, o músico ressalta que a proposta de formação apresentada pelo Neojiba e as oportunidades de intercâmbio promovidas a partir do curso de capacitação são muito importantes para o aprimoramento do trabalho que realiza no Colégio Severino Vieira.