21/11/2015
A musicalidade dos blocos afros Ilê Aiyê, Muzenza, Cortejo Afro, Os Negões, Malê Debalê e Okambi deu o tom da 15ª Caminhada da Liberdade, em comemoração ao 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, na tarde dessa sexta –feira (20). De acordo com a Polícia Militar, cerca de quatro mil pessoas seguiram da Senzala do Barro Preto, na Liberdade até o Centro Histórico, ao som de tambores, passos de ijexá, indumentárias, adereços coloridos, e outros elementos que remetiam à herança dos povos africanos.
Gente como o comerciante Sidnei Pereira, morador da Liberdade, cuja participação na caminhada acontece desde o ano 2000, quando a iniciativa foi criada pelo Fórum de Entidades Negras da Bahia. “Além de ser uma forma de resistência e um momento para reivindicações dos direitos sociais da população carente, essa marcha é a síntese do trabalho de conscientização, realizado durante todo o ano na comunidade da Liberdade, com o objetivo de despertar a consciência e valorização do negro”.
Este ano, a caminhada, que também homenageou a Década Internacional de Afrodescendentes, contou com a presença do ex-presidente Lula, do governador , Rui Costa, do secretário de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social, Geraldo Reis, da superintendente de Apoio e Defesa dos Direitos Humanos, Anhamona de Brito, e outras autoridades. Durante o discurso, Lula falou sobre as iniciativas do Governo Federal contra a desiguldade racial, como aprovação da lei que destina cota de 20% das vagas em concurso para negros, a criação de novas universidades, e mencionou também o Estatuto da Igualdade Racial, aprovado em 2010, último ano do seu governo.
De acordo com o ex- presidente, a situação da população negra mudou muito nos últimos dez anos, principalmente com o ingresso de muitos deste público nas universidades qualquer. “ Se um cientista político fizer uma pesquisa séria, vai verificar, que durante décadas, os negros não tinham acesso às universidades”, disse Lula, “hoje, as meninas e os meninos negros podem ser médicos,e não apenas ajudantes de pedreiros ou empregadas domésticas”.
As comemorações ao 20 de novembro também aconteceram no Campo Grande, com a 36ª Marcha da Consciência Negra Zumbi dos Palmares, realizada pela Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen), da Praça do Campo Grande a Praça Municipal.
O 20 de novembro - Data do falecimento do líder negro Zumbi dos Palmares. A medida tem como base legal a Lei Federal 12.519, sancionada em 10 de novembro de 2011, pela presidenta da República, Dilma Rousseff, em atendimento à demanda histórica do movimento negro no Brasil, que elegeu a figura como um símbolo da luta e resistência dos negros escravizados no país.