Oficina sobre trabalho escravo aponta caminhos para a cobertura jornalística

01/12/2015

O jornalista especializado em Direitos Humanos e investigação sobre trabalho escravo Marques Casara, vencedor do Prêmio Esso de Jornalismo e do Prêmio Vladimir Herzog, entre outros, por suas reportagens investigativas sobre trabalho escravo no Brasil, esteve em Salvador, na noite de ontem (30 de novembro), para ministrar a Oficina sobre Trabalho Escravo para Jornalistas. Falando para uma plateia de estudantes e profissionais do jornalismo, o palestrante sublinhou a importância do jornalista atuar não como um produtor de notícia, mas como um transformador da realidade.


Ao apresentar suas reportagens de denúncia sobre trabalho escravo, o repórter mostrou a importância de ir além da notícia factual, revelando as conexões do trabalho escravo nas cadeias produtivas que envolvem grandes empresas. “Apesar de ser uma prática de um mundo medieval, o trabalho escravo está inserido na cadeia produtiva de produtos de ponta”, disse ele, apontando o poder da mídia de pressionar as grandes indústrias internacionais a não incluir em sua cadeia a compra de insumos produzidos por trabalho degradante.


Atualmente, Casara pesquisa duas cadeias produtivas importantes no Brasil, a de medicamentos e a de cosméticos. Casara é aluno-pesquisador do Programa de Estudos Pós Graduados em Comunicação e Semiótica da PUC-SP, é diretor da Papel Social Comunicação, foi roteirista na Central Globo de Produções, diretor no Globo Ecologia, produtor no Fantástico e repórter na revista Época.


A iniciativa é do Projeto Ação Integrada na Bahia e da Comissão de Erradicação do Trabalho Escravo do Estado da Bahia (COETRAE), formada pelas secretarias de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (Justiça Social), do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), Ministério Público do Trabalho e Polícia Rodoviária Federal, em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).


O evento contou ainda com a palestra de Admar Fontes Júnior, coordenador do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Trabalho Escravo (NETP), da Secretaria de Justiça Social, que apresentou o cenário do trabalho escravo na Bahia e as ações de resgate realizadas em 2015. Segundo Fontes, a maior parte do trabalho análogo ao escravo na Bahia acontece em lavouras, na zona rural. Ao longo dos últimos 10 anos foram mapeadas rotas em 21 municípios, sobretudo no Oeste do estado.


“Nosso objetivo com este evento é fortalecer também a prevenção, ao informar, sensibilizar e mobilizar esse parceiro importante que é a sociedade civil, sobretudo a imprensa, sobre as diversas maneiras de enfrentamento ao trabalho escravo”, disse.


A coordenadora de Relações do Trabalho da Setre, Jossevanda Galvindo, apresentou o projeto Ação Integrada, em que as diversas instituições parceiras atuam nos eixos da repressão e combate ao trabalho degradante e também no eixo da prevenção, ao desenvolver políticas públicas de qualificação dos resgatados e inserção no mercado de trabalho formal, a fim de quebrar o ciclo vicioso da vulnerabilidade social.