Revolta dos Búzios é homenageada com hasteamento de réplica da bandeira do movimento

18/12/2015
A importância da Revolta dos Búzios foi destacada na manhã desta sexta-feira (18), com o hasteamento da réplica da bandeira que homenageia os heróis, Manoel Faustino, Luís Gonzaga, João de Deus e Lucas Dantas, na luta dos negros na Bahia. O governador Rui Costa, o secretário de Justiça Social, Geraldo Reis, representantes do movimento negro e outros secretários de Estado participaram da solenidade simbólica, na praça da Piedade, em Salvador, ao som das bandas do Olodum e do Ilê Aiyê.

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Para o governador, quem conhece a história evita repetir erros de discriminação. “Como a história sempre é escrita pelos dominadores, lideranças expressivas que lutaram pela liberdade e pela igualdade entre homens e mulheres, ficaram esquecidos e não tiveram relevância nos livros de história ao longo de séculos. Estamos reescrevendo a história para que o povo conheça de onde nós viemos, o que nós somos e o que nós queremos construir a partir do que nossos ancestrais fizeram no passado”.

O Secretário, Geraldo Reis, destacou que o hasteamento da bandeira simboliza a liberdade e igualdade entre todas as pessoas . “Essa solenidade é importante porque marca a luta da Revolta dos Búzios como um acontecimento ímpar na história do Brasil. A luta dos heróis da Revolta começou no século 18, e até hoje  o embate por liberdade e igualdade para todas as pessoas é pauta de inúmeros heróis anônimos que militam pelos direitos humanos”.

Para o Antônio Carlos Vovô, presidente do Ilê Aiyê, ainda há muito que ser feito, mas a Bahia é um Estado que se destaca nos esforços para a reparação. “Pouca gente conhece a história desses heróis da Revolta dos Búzios. A reparação que queremos é liberdade, igualdade e respeito. E cada grupo que surge, organização, cada ação dessas é uma alternativa que surge para que nós mostremos que o povo negro não é diferente, que tem direitos e deveres como todo mundo”.

REVOLTA DOS BÚZIOS

Ocorrida em 1798, a Revolta dos Búzios foi organizada por líderes negros que queriam a Independência do Brasil e o fim da escravidão, tendo como inspiração os ideais da Revolução Francesa (1789). Os líderes do movimento, Manuel Faustino, Lucas Dantas, João de Deus e Luís Gonzaga foram enforcados e esquartejados na Praça da Piedade, onde se encontram hoje seus bustos em reconhecimento à importância da luta que empreenderam em prol da liberdade e da cidadania.

Estudiosos do movimento, também conhecido como Revolta dos Alfaiates e Conjuração Baiana, indicam a existência de uma bandeira com duas tiras azuis e uma branca, além de uma estrela vermelha com a inscrição em latim “Surge nec mergitur” (Apareça e não se esconda). É a réplica dessa bandeira que ficará hasteada na Praça da Piedade.