Ecofolia Solidária ressalta o trabalho das mulheres no Carnaval

05/02/2016
Este ano, o Ecofolia Solidária: O Trabalho Decente Preserva o Meio Ambiente destaca o trabalho das catadoras e das mulheres que compõem a rede de Alimentos e Costura de Economia Solidária, empreendimentos econômicos solidários que desde 2006 passaram a integrar a equipe do Ecofolia e são responsáveis por fornecer a alimentação em todas as centrais, durante os sete dias de carnaval, e a rede de costura, que é responsável pelo fardamento. As cooperativas que compõem a rede de Alimentação funcionam no Engenho Velho da Federação, Uruguai, Gamboa e Engomadeira e possui cerda de 120 cooperados (as), a maioria (90%) mulheres.

 “Essa homenagem é muito bem vinda, precisamos estar em evidência para garantir e ampliar nossas conquistas. Durante o ano, fazemos capacitação e formação na área de economia solidária, direitos humanos, no combate à violência contra as mulheres, saúde, estamos sempre discutindo para além da economia solidária, para o fortalecimento e empoderamento de nossas ações”, disse Ana Morares, coordenadora da Rede de Alimentação. Durante os sete dias de festa, serão oferecidas mais de 15 mil refeições para os catadores.

 Os secretários de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social, Geraldo Reis, e do Trabalho, Emprego e Renda, Álvaro Gomes, participaram na manhã de hoje (05) da entrega do fardamento e equipamentos de segurança para os catadores de resíduos sólidos que trabalham no Carnaval. Serão benefiados mais de 1500 catadores de resíduos sólidos. O Kit é composto de bota, meia, luva, camisa e calça. Os catadores recebem também alimentação, com três refeições diárias durante os sete dias de festa, além da oferta de água nos sete postos de coleta distribuídos nos circuitos da Barra, Ondina, Campo Grande, Pelourinho e Nordeste de Amaralina.
 
“Trabalho há mais de 20 anos catando latinha no carnaval de Salvador, e com esse apoio a gente é visto com outros olhos, somos respeitados pelo folião, que muitas vezes vem até nós entregar a latinha, e até pela polícia, que não vê a gente ali em vão. Fica tudo organizado e mais bonito”, avaliou o catador Juscelino Santos Andrade. O secretário Geraldo Reis falou sobre a importância de dar dignidade ao trabalho dos catadores, “para além do desenvolvimento social, por meio da economia solidária, este projeto dignifica o trabalho do catador e gera renda para essas pessoas”, afirmou.
 
O projeto Ecofolia Solidária: O Trabalho Decente Preserva o Meio Ambiente é uma iniciativa do Complexo de Reciclagem da Bahia, coordenado por Michele Almeida, e conta com o investimento do Governo da Bahia em mais de R$ 1,1 milhões. Para Michele Almeida este apoio é fundamental para garantir o projeto, que já existe no Carnaval da Bahia há nove anos. A perspectiva é ampliar a ação para outros eventos.
 
“Nós sabemos que em Salvador temos grandes eventos durante todo o ano, e o Ecofolia Solidária tem a proposta de trazer o catador para dentro das cooperativas, garantindo dignidade e respeito a este trabalho não só no carnaval, mas durante todo o ano” disse. O Complexo de Cooperativas possui 180 catadores cooperados, e durante o carnaval serão cadastrados cerca de mil catadores avulsos.
 
Para o secretário Álvaro Gomes o desafio é retirar esses trabalhadores da informalidade. “O Programa do Trabalhador Autônomo é uma prioridade do Governo do Estado que visa ampliar a garantia dos direitos previdenciários e o nosso desafio é trazer estes trabalhadores para a formalidade”, afirmou. Os secretários visitaram ainda o Projeto Cata Bahia, coordenado pelo Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, que atende a cerca de 300 catadores durante o carnaval.
 
Crédito - O Governo do Estado, por meio da Setre e da Agência de Fomento do Estado da Bahia (Desenbahia), disponibilizou ainda uma linha de financiamento especial a três cooperativas de catadores e uma de alimentação, num total de R$ 110 mil, por meio dos programas CrediBahia e CrediSol. Com a oferta do microcrédito, o Governo do Estado valoriza o trabalho dos catadores, que durante o carnaval tem as suas chances de lucro abreviadas, já que nesse período existe uma demanda maior que a procura, o que reduz o valor dos resíduos sólidos. Com o empréstimo, é possível comprar o material coletado pelos catadores avulsos; estocar e só vender após o período da festa, quando o valor das latinhas e das garrafas pet aumenta.