13/03/2016
O ativista gay, Beto de Jesus, a deputada federal, Erika Kokay e os delegados dialogaram sobre pautas prioritárias e importantes para a população LGBT
A palestra magna conferida na manhã desse sábado (12), com a participação do ativista gay Beto de Jesus e da deputada federal, Érika Kokay (PT/CE), trouxe para os participantes da III Conferência Estadual dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT), uma série de reflexões sobre a importância da militância LGBT para a conquista de ações afirmativas. Reunidos no Hotel Sol Vitória Marina, no Corredor da Vitória, em Salvador, os delegados, representantes da sociedade civil e do poder público dos 27 territórios de identidade do estado, dialogaram sobre pautas prioritárias, que, de acordo com Beto, “precisam constar de forma concreta na agenda dos direitos humanos”.
A necessidade da despatologização do processo transexualizador ou cirurgia de mudança de sexo para homens trans no Brasil deu início ao painel apresentado pelo ativista, e foi citada como uma demanda social prioritária e urgente a ser resolvida. Desde a publicação da Portaria Nº 457, de agosto de 2008, são realizados procedimentos ambulatoriais e cirúrgicos em homens trans, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), mas, segundo Beto, é preciso superar a lógica cruel da patologia no atendimento para essas pessoas. “Precisar se reconhecer como doente para ter direito a cirurgia, é algo que eu não posso concordar. Isso é uma mentira que nos obrigam a aceitar. Não somos doentes”, reagiu.
Outra questão abordada foi o conceito da necropolítica entre a população LGBT, que possibilita a morte de milhares de travestis, transexuais e lésbicas masculinizadas, que, segundo o palestrante, “são os segmentos que mais “incomodam” o gênero masculino dominante no Brasil”.
Outras temáticas - O controle social, o diálogo com os diferentes coletivos sociais, a intersetorialidade nas agendas de marcadores identitários e a criação do Centro de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos LGBT, a criação de planos contra a homolesbotransfobia, entre outras temáticas também foram citadas como iniciativas, que podem ajudar na construção de políticas públicas para a população LGBT no estado. Segundo a deputada federal, Érika Kokay (PT/CE), as conferências precisam sair do âmbito das discussões para se transformarem em espaços de desburocratização e resolutividade. “ O movimento LGBT é um movimento de vanguarda, de modificação da sociedade. Dessa forma, temos a capacidade de transformar todas essas discussões em políticas reais”.