Violação de direitos das baianas de acarajé integra IV conferência de direitos humanos

16/03/2016
O modelo de desenvolvimento para megaeventos implantado pela Federação Internacional de Futebol (Fifa) na Copa do Mundo de 2104, resultou na violação de direitos humanos de vários brasileiros, entre eles as baianas de acarajé. Essa constatação foi feita pela ativista do Comitê Popular da Copa e pesquisadora em Direitos Humanos da Universidade de Brasília (UNB), Larissa Araújo, durante a IV Conferência Estadual de Direitos Humanos, na tarde da última segunda – feira (15).

A palestra ministrada durante os diálogos temáticos, por meio do eixo Afirmação e Fortalecimento da Democracia, foi baseada na pesquisa de campo realizada em Salvador, no período da Copa do Mundo 2014. Com o título “Baianas de acarajé contra Fifa: um estudo de caso sobre desenvolvimento e a colonialidade”, a iniciativa resultou na sua dissertação de mestrado em Direitos Humanos e Cidadania pela Universidade Nacional de Brasília (UNB). A pesquisa trouxe à tona o conflito gerado com a proibição da venda do acarajé, em torno Arena Fonte Nova e a concessão do monopólio do comércio de produtos alimentícios dada pela FIFA à rede McDonald’s.

De acordo com a pesquisa, para fazer frente a coalizão FIFA, patrocinadores, elite nacional e a frente estatal-empresarial e garantir a realização de seu ofício, as baianas empreenderam várias estratégias de luta, da negociação à ação direita. “sob a luz do conflito entre a FIFA e as baianas de acarajé, identifiquei as estratégias e discursos da disputa” disse Larissa, “revelei uma tensão entre o desenvolvimento (Fifa) e a “diferença” (baianas de acarajé), categorias que resumem as distintas visões em jogo”, como em um cabo de guerra”.

Racismo e tortura – Ainda na agenda da tarde, foram destacadas as ações do Coletivo de Entidades Negras (Cen), com a participação do militante Dhay Borges, que falou sobre o trabalho realizado pela instituição em todo Brasil. O CEN defende os direitos e interesses das comunidades religiosas de matriz africana, além de preservar e fortalecer a cultura afro-brasileira e africana e seu legado civilizatório. Atua em busca da melhoria de qualidade de vida da comunidade negra brasileira, por meio de campanhas de conscientização para os direitos fundamentais, caminhadas de mobilização, manifestações culturais, congressos, seminários, intercâmbios, entre outras atividades.

Para encerrar o ciclo de diálogos, a perita do Mecanismo Nacional de Prevenção à Tortura (MNPCT), Deise Benedito falou sobre a iniciativa do Governo Federal, que tem como função a prevenção e combate à tortura nos presídios, por meio de visitas regulares previstas e monitoramento de denúncias sobre violação de direitos das pessoas com privação de liberdade.