SJDHDS participa de caminhada em memória dos Mártires do Massacre do Rio Cururupe

26/09/2021
Em Ilhéus, a Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia (SJDHDS) participou, na manhã deste domingo (26), da Caminhada em Memória aos Mártires Indígenas do Massacre do Rio Cururupe. A ação reuniu mais de mil indígenas, que caminharam por sete quilômetros, saindo da Praça Central da Vila de Olivença em direção à praia Foz do Rio do Cururupe.

O ato relembrou a Batalha dos Nadadores, ocorrida em 1559, quando índios dos povos Tupinambá e Tupiniquim foram cercados e massacrados pelos homens do então governador-geral do Brasil, Mem de Sá. Massacrados e acuados na praia, a maior parte sofreu afogamento. Os corpos foram estendidos um após o outro, somando seis léguas de índios mortos.   

Presente no evento, o superintendente de Direitos Humanos da SJDHDS, Jones Carvalho afirmou que esse foi o maior massacre indígena da história das américas. “ Foram tantos os Tupinambás mortos, que não era possível contá-los e se pensava que eles haviam sido extintos. Então, esse momento de hoje é de memória, mas também é de luta de um povo que sempre batalhou e segue lutando com coragem e determinação. Viva ao povo Tupinambá”, disse ele.

A caminhada é realizada desde o ano 2000, como explica Nádia Akawã Tupinambá. “Até a primeira caminhada ser realizada, nós estávamos no anonimato, o Brasil e o mundo só sabiam de nós pelos livros, que diziam que o povo Tupinambá havia sido dizimado no massacre. Por isso, essa caminha representa a resistência de um povo e mostra para toda a sociedade que os Tupinambás estão e sempre estiveram aqui. Estamos aqui há milênios e esse é um território tradicional”, reforçou Akawã. 

Durante a caminhada também houve um momento de protesto contra o Projeto de Lei 490, que tramita no Congresso Nacional e visa estabelecer o Marco Temporal, “que viola frontalmente os direitos indígenas e que autorizará, institucionalmente, a intensificação das perseguições, da exclusão social, da violência e das agressões contra as comunidades e os povos indígenas no sul da Bahia e no Brasil”, declarou Jerry Matalawê, coordenador de Políticas Indígenas da SJDHDS, também presente no evento. 

Em sua grande maioria, os participantes da caminhada são do povo Tupinambá, mas também há a presença e participação efetiva de indígenas de outras etnias, assim como representantes de movimentos sociais, estudantes, pastorais da Igreja Católica, sindicatos, entidades da sociedade civil, representantes governamentais e não governamentais.

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