26/11/2020
Os participantes do webinário “Cenário do direito da criança e do adolescente: qual o nosso papel neste contexto?”, promovido pelo Instituto de Ensino da Saúde e Gestão (IESG), unidade da Liga Álvaro Bahia mantenedora do Hospital Martagão Gesteira, em Salvador, e gestora do Hospital Estadual da Criança (HEC), em Feira de Santana, puderam conhecer, na tarde desta quinta-feira (26), o trabalho realizado pelo Serviço de Atenção a Pessoas em Situação de Violência Sexual (Projeto Viver) da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia (SJDHDS).
O Projeto, que, desde 2001, presta acolhimento institucional, atendimento médico ambulatorial e acompanhamento psicossocial a qualquer pessoa vítima de violência sexual e seus familiares, integrou a mesa temática sobre “Assistência social: formação de rede no contexto da violência”.
Durante a apresentação, foram explicados conceitos relacionados à violência sexual e ao atendimento dos casos, dentre eles o de “revitimização”, prática institucional que submete à vítima a procedimentos desnecessários, como a exposição e a revivência frequente do trauma.
“É um serviço que precisa ser humanizado. Temos que ter um cuidado, um respeito, estar atentos à individualidade das vítimas, sem fazer qualquer abordagem que venha causar revitimização. Essa é a proposta do Viver”, explicou Divonete Santana, coordenadora do Projeto.
Além das demandas espontâneas, os atendimentos do serviço chegam por meio do encaminhamento da Rede de Proteção, composta por órgãos e instituições como os conselhos tutelares, delegacias especializadas, Instituto Médico Legal (IML) e hospitais.
Só de janeiro a outubro deste ano, o Projeto Viver já atendeu 177 vítimas de violência sexual, sendo 152 do sexo feminino, com mais de 90% dos casos envolvendo menores de 18 anos em Salvador. Ao total, 13.382 casos foram atendidos na Bahia.
Ainda de acordo com os dados, estupros, importunações e assédios sexuais a crianças e adolescentes são cometidos, na maioria dos casos, por pessoas da família ou próximas do círculo familiar das vítimas. Mudanças de comportamento, baixa autoestima, problemas escolares, mudanças de humor, agressividade e nervosismo, sentimentos de culpa, comportamento autodestrutivo, ansiedade e isolamento estão entre os principais sinais de violência sexual.
“Orientar a criança e o adolescente sobre seu corpo, como protegê-lo e incentivar a educação sexual são meios de prevenir essas violências”, pontuou Divonete, acrescentando sobre a importância da denúncia através do Disque 100 ou à Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra a Criança e o Adolescente (Dercca).
Na pandemia, os atendimentos do Viver estão sendo realizados pelo celular (71) 98400-5436 (WhatsApp) e pelo e-mail institucional: servico.viver@sjdhds.ba.gov.br.