Oficina com símbolos Adinkra atrai público diverso na Flica

19/10/2024

Atividade promovida pela SJDH, propôs reflexões sobre valores relacionados aos direitos humanos

 

"Nunca é tarde para voltar e pegar o que ficou para trás". A mensagem traz o significado do Sankofa, ideograma africano escolhido por Carolina Araújo para ilustrar sua camisa na oficina ‘Estêncil com Símbolos Adinkra’. Promovida pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), a atividade artística integrou a programação da Festa Literária de Cachoeira (Flica), neste sábado, 19, atraindo um público diverso e interessado no conhecimento ancestral das simbologias.

 

"Achei muito bacana porque a oficina explorou os Adinkras, um tema que já conheço e sobre o qual quero saber mais. Também porque eu tenho fibromialgia e fui respeitada no meu tempo de fazer o trabalho", declarou Carolina, que é professora de Literatura, poeta e digital influencer sobre literatura negra. Ela e as amigas participaram do minicurso da SJDH e, também, de outras atividades, como a oficina de turbantes, disponíveis na Casa do Governo, sediada pela Fundação Hansen Bahia.  

 

A SJDH deixa a Flica hoje, mas até amanhã, 20, à beira das águas negras do maior rio que nasce na Bahia, o Paraguaçu, o público continua celebrando as artes, a cultura, a educação, as letras e a cidadania. Nesta edição, a SJDH celebra a ancestralidade no minicurso oferecido através da arte-educação, propondo reflexões sobre valores relacionados aos direitos humanos como igualdade, justiça, dignidade e respeito, fortalecidos pela sabedoria tradicional africana. A ação é norteada pelo eixo estratégico da SJDH ‘Educação e Cultura em Direitos Humanos’.

 

"A ancestralidade é uma das bases da construção da literatura. A Flica está consolidada aqui, em Cachoeira, e essa pauta de construção da ancestralidade, de construção civilizatória, a partir do povo negro, afrodescendente aqui, do Recôncavo, é algo que a gente precisa prestigiar, valorizar, e a SJDH vem dessa forma, aprender com toda a literatura que está sendo exposta aqui. Aproveitamos para mobilizar junto aos estudantes todas essas referências a partir de um compromisso nosso com a educação e cultura em direitos humanos. Estamos aprendendo e estamos ajudando a disseminar essa pauta a partir da ancestralidade, a partir dessa oficina Adinkra”, afirmou a superintendente de Apoio e Defesa aos Direitos Humanos, Trícia Calmon.

 

Orientadas pelo professor de artes visuais e ilustrador Carlos Victor, que é educador do Projeto Axé, os participantes aprenderam sobre aplicação do estêncil - técnica de grafiti utilizada para gravação de ilustrações e outros desenhos em superfícies. Mas também entenderam significados dos símbolos Adinkra, originários dos Akans - um grupo étnico de Gyaman, atual Gana, que congrega diversos povos. “É uma oficina de molde vazado em tecido, que se baseia nos símbolos Adinkra, que são originários de Gana, na África, e que dialoga com os direitos humanos. E é muito importante que um espaço da Feira Literária possa abordar temas que colaboram para a educação antirracista e também com a arte”, afirmou Araújo.

 

 

Ainda norteada pelo eixo estratégico ‘Educação e Cultura em Direitos Humanos’, as equipes da SJDH distribuíram peças da campanha ‘Respeito é Nosso Direito’, disseminando mensagens sobre direitos de públicos prioritários como crianças e adolescentes, pessoas idosas, pessoas com deficiência e a comunidade LGBTQIAPN+.

 

Ainda na tarde de hoje, a superintendente Trícia Calmon participou de um ato institucional da Feira Afro Bahia na Flica 2024.  A Feira Afro foi organizada pela Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), em parceria com a Associação de Moradores do Conjunto Santa Luzia, contemplada no edital de empreendedorismo negro 001/2023. A ação reuniu empreendedores de diversos Territórios. A deputada Federal, Lídice da Mata, e a diretora Executiva da Fundação Hansen Bahia, Vanessa Dantas, também participaram do ato ciceroneado pela secretária da Sepromi, Ângela Guimarães, e elogiada por Ana Cristina, da Rede de Empreendedores Negros da Bahia.

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