SJDH e Idesa entregam máquinas a mulheres indígenas para produção artesanal

07/11/2024

Entrega de equipamentos, no ATL, e formação profissional fazem parte do projeto ‘Filhas da Ancestralidade’, focado no empoderamento econômico das beneficiárias 

Mulheres indígenas participantes do ‘Acampamento Terra Livre’, em Salvador, receberam nesta quarta-feira (06), kits de equipamentos tecnológicos para produção artesanal. A entrega faz parte do projeto “Filhas da Ancestralidade”, executado pela parceria da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), com o Instituto de Desenvolvimento Social e Agrário do Semi-árido (Idesa). A ação visa promover autonomia financeira às beneficiárias, de modo a fomentar sua inclusão no mercado de trabalho, estimular a coletividade, a integração solidária entre as participantes e a aceleração de seus arranjos produtivos.

Além da aquisição de máquinas e outros equipamentos tecnológicos utilizados em atividades artesanais, o projeto prevê a realização de capacitações profissionalizantes para essas mulheres no norte (Banzaê, Euclides da Cunha, Glória, Curaçá e Abaré); oeste (Muquém de São Francisco e Barreiras); sul (Ilhéus e Pau Brasil); e extremo sul (Santa Cruz Cabrália, Porto Seguro e Prado), regiões subdivididas pelo Movimento Unido dos Povos e Organizações Indígenas da Bahia – Mupoiba. Ao final, 100 mulheres indígenas serão beneficiadas diretamente pela iniciativa e vão atuar como multiplicadoras dos conteúdos e técnicas da atividade produtiva.

Formação - O “Filhas da Ancestralidade” inclui também a entrega de um pacote formativo, com nove vídeoaulas norteadoras, a serem usadas por essas mulheres na multiplicação de conteúdos. A formação é realizada em três blocos de oficinas sobre: ‘Tecnologias da comunicação’; ‘Design de artesanato’; ‘Associativismo, cooperativismo e empreendedorismo para mulheres indígenas’. A aquisição e uso dos equipamentos, interligado à capacitação profissionalizante é contextualizada com foco na geração de trabalho e renda, de forma associada e cooperada, implicando na multiplicação do benefício. A articulação da SJDH no projeto se dá através da Coordenação de Políticas para a Pessoa Idosa (CAPI), da Superintendência de Apoio e Defesa dos Direitos Humanos (SUDH).

O Acampamento Terra Livre (ATL) permanece na área externa da Assembleia Legislativa até esta quinta-feira (07). Cerca de 1.500 indígenas de 33 etnias de vários territórios da Bahia participam da mobilização iniciada na última segunda-feira (4), organizada pelo Mupoiba. Este ano, o Acampamento acontece sob o lema “O Nosso Marco é Ancestral”. A SJDH, em articulação com diversos parceiros institucionais, participou da atividade com a proposta de promover a garantia de direitos dos povos originários.

Indígenas no estado - Na Bahia, 32 povos indígenas representam uma população de mais de 160 mil pessoas espalhadas em mais de 40 municípios, em aldeias, zonas urbanas e em todas as regiões do estado. Esses povos, em sua maioria, ainda sem territórios demarcados, ou, quando demarcados, insuficientes e entrosados, são responsáveis por grande parte da riqueza e diversidade sociocultural.

Realidade - A realidade da mulher brasileira é recortada por dois indicadores alarmantes e severamente impostos as suas vidas: a violência e a falta de oportunidades. Dados da ONU Mulheres destacam que somente 8% dos investimentos financeiros são destinados ao empreendedorismo feminino. A Relatora Especial da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas, que visitou o Brasil em 2016, recomendou em seu relatório maior documentação das dificuldades e problemas enfrentados pelas mulheres indígenas do Brasil para que o diagnóstico possa subsidiar medidas corretivas nesse sentido.

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