A equipe do Plantão Integrado de Direitos Humanos fez um mutirão de identificação de crianças e orientação das famílias sobre os mecanismos de proteção
A promotora de eventos Thaíse Nascimento, mãe de Nícolas (9) e Maria (7), leva os filhos ao Carnaval de Salvador desde que eram bebês. Carnavalesca, a foliã sempre entendeu a festa como um lugar possível para estar com os filhos, mas ressalta: “antes era mais complicado, eu trazia mas ficava tensa. Hoje temos mais opções na programação e essa política de identificação me deixa muito mais tranquila para vir. As crianças podem brincar e curtir à vontade e seguras”, relatou. A família de Thaíse foi uma das abordadas pela equipe do Plantão Integrado de Direitos Humanos em ação realizada na tarde deste sábado (1) no Pelourinho, com a distribuição de pulseiras de identificação para crianças e orientações para os pais.
As crianças constituem um dos públicos prioritários do Plantão Integrado, que trabalha por um Carnaval de diversidade, cidadania e direitos. Nos primeiros três dias do Carnaval de 2025, já foram 3000 crianças identificadas. Além dessa política de proteção, o plantão também se dedica à sensibilização dos foliões sobre os direitos das crianças e dos adolescentes, bem como sobre a importância de denunciar violações e informações dos canais de denúncia. Essa é uma das iniciativas que estão contribuindo para reduzir as ocorrências de violações de direitos de crianças em comparação com os dois anos anteriores. Para a trancista Vanessa Malvar, que também teve a filha identificada, a atenção da família é importante, mas o apoio do Estado é fundamental: “quanto mais cuidado, melhor!”.
A turista Simone Batista, do Rio de Janeiro, veio pela primeira vez ao Carnaval de Salvador com seu filho. “Contar com proteção do Estado é sempre importante, porque as crianças têm que participar do Carnaval e ver que é saudável e seguro, para que elas possam crescer e se tornarem adultos com esse registro de um Carnaval seguro”, afirmou. Também foi a primeira vez que a dentista Aline Tátila, turista de Petrolina, trouxe sua filha para o Carnaval de Salvador. “Quando a gente sai de casa com criança, nossa maior preocupação é a segurança, e essa medida de identificação sem dúvida nenhuma deixa a gente muito mais tranquila e mostra que o Carnaval também é uma festa de família”, opinou.
O trabalho itinerante da equipe do Plantão Integrado neste sábado teve como destino a Praça das Artes, cuja programação diurna foi pensada para a criançada. O baile infantil contou com apresentações musicais da cantora mirim Lilica e da banda Cadeira Brin. Entre confetes e muito spray de espuma, as crianças foram também se enfeitando com bandanas, adesivos e tatuagem solúvel da campanha Respeito é Nosso Direito. Um deles era o pequeno João Guilherme (4), filho do educador Robson Oliveira. “O Carnaval, como uma festa democrática, deve incluir todas as pessoas, principalmente as crianças. Então, políticas públicas voltadas para esse público são muito importantes”, afirmou Robson.
Dados apontam que as crianças conformam o segmento com maior incidência de vulnerabilidade no Carnaval. Das 43 ocorrências de violação registradas nos primeiros dias do Carnaval 2025, 16 envolviam crianças e 13, adolescentes. A falta de identificação e o desacompanhamento estão entre os aspectos da vulnerabilização. A política de identificação, portanto, atua diretamente na redução da vulnerabilidade infantil.
A assistente social e técnica da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Estado, Irani Lessa, explica ainda qual o papel do Plantão Integrado de Direitos Humanos e, mais amplamente, do projeto Direitos Humanos em Festas Populares da Bahia, para a política de proteção de crianças e adolescentes no estado.
“O Plantão Integrado é uma grande oportunidade de reunir os serviços que atuam na rede. A gente vai construindo uma cultura de cooperação e de articulação operacional que é fundamental para assegurar a proteção integral de crianças e adolescentes. O Plantão, ele vai assegurando a institucionalização de uma rede de proteção ampla e funcional”, elucida a assistente social. Ela conta como cada caso de violação identificado no Plantão convoca cada um dos setores da rede “a pensar soluções a partir dos seus campos de responsabilidade, bem como se movimentar em direção aos encaminhamentos”.
Postos e canais de denúncia
O Plantão Integrado conta com postos de atendimento fixos na sede do Procon (Av. Carlos Gomes), no posto avançado na Barra (estacionamento do edifício NAU) e, neste ano, na Estação de Metrô da Lapa. As equipes volantes circulam pelos circuitos Dodô, Osmar e Batatinha, realizando monitoramento e acolhimento. O serviço funciona de 27 de fevereiro a 4 de março, das 9h às 21h.
Denúncias podem ser feitas presencialmente nos postos, pelo Disque 100, pelos telefones (71) 3116-8580 / 8585 (apenas no período do Carnaval) ou via WhatsApp da Ouvidoria SJDH: (71) 9 8249-6016. Mais informações estão disponíveis no Guia de Proteção Integral da campanha Respeito é Nosso Direito.