Apresentações artísticas e a entrega do ‘Troféu Michele Marry’, que homenageou personalidades da política, marcaram a abertura do encontro que acontece até domingo (13)
Salvador, a capital mais negra do Brasil, abriu as portas para pessoas transexuais e travestis de todo o país debaterem racismo, transfobia e outras violações de seus direitos, no ‘10º Encontro Nacional de Travestis e Transexuais Negras e Negros 2025’. Marcaram a abertura do evento, nesta quinta, 10, apresentações artísticas e a entrega do ‘Troféu Michele Marry’, que homenageou personalidades da política, da música e das artes pelo esforço e dedicação à construção de espaços que promovem a diversidade e a inclusão.
A honraria eterniza também a figura de Michele Marry, que morreu em 2005, militando pelos direitos das pessoas LGBTQIA+, a quem acolhia e dava assistência, tendo sido fundadora da Associação de Travestis de Salvador - ATRAS. A solenidade foi prestigiada por diversas autoridades municipais, estaduais e federais. Entre elas, o secretário de Justiça e Direitos Humanos, Felipe Freitas, para quem “o movimento LGBTQIA+ é um legado que a sociedade precisa manter para fortalecer a luta coletiva”.
A mesa de abertura, além de Freitas, contou com a participação da secretária Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), Symmy Larrat; da secretária de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi), Ângela Guimarães; da vereadora de Niterói (RJ), Benny Briolly; da promotora de Justiça, Márcia Teixeira; da coordenadora do Fórum Nacional de Travestis e Transexuais Negras e Negros (Fonatrans), Jovanna Baby.
“O movimento de pessoas trans nos provoca o tempo inteiro a pensar na necessidade de alargar a nossa humanidade e nos faz pensar o mundo em que a nossa diversidade é mais ampla, e nas outras possibilidades que existem para viver em sociedade. Esse é um legado civilizatório e um presente pedagógico sobre como enfrentar o racismo e outras formas de discriminação. A luta dessas pessoas, e de tantos outros, para transformar o mundo, nos mobiliza a construir uma sociedade justa e igualitária”, destacou Felipe Freitas.
Realizado pelo Fórum Nacional de Travestis e Transexuais Negras e Negras (Fonatrans), o Encontro Nacional contou com a parceria do Governo da Bahia, através da SJDH, da Sepromi e das secretarias de Educação (SEC); de Saúde (Sesab); de Cultura (Secult); de Turismo (Setur); da Coordenação Geral de Políticas de Juventudes (Cojuve); e do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. A proposta foi criar uma oportunidade de discussão sobrre políticas públicas que promovam a diversidade, a inclusão e o combate ao racismo.
“Toda a civilização que almeja ser civilizada precisa aceitar as diferenças, construir pontes de inclusão e derrubar os muros do preconceito. Estar em Salvador, para trazer essa discussão, é de uma grandeza para o movimento trans e travesti. Trazer essas discussões é fazer com a pauta seja reverberada em outros estados para que a população mais esquecida, deixada à margem e sem oportunidade, passe a ser inserida e a ter direito a estudo, formação e ao mercado de trabalho”, destacou a presidenta do Fonatrans, Jovanna Baby.
“O Fonatrans é um espaço importante, que reúne travestividade e transsexualidade negra e negro, trazendo esse recorte importante. Estamos operando projetos no campo do acolhimento, do apoio às casas de acolhimento, de programas de empregabilidade, que se somam a essa realidade. Setenta por cento das pessoas que fazem parte dos nossos programas são pessoas negras e quase 75% são pessoas transgêneras. Esse é o perfil de quem está mais à margem, de quem está mais propensa à violência onde precisa chegar a política pública”, afirmou Symmy Larrat.
Programação
Nesta sexta e sábado (11 e 12), a programação conta com palestras, debates, rodas de conversa, apresentações artísticas e culturais. Os debates trazem temas como prevenção a infecções sexualmente transmissíveis, preservação e valorização do patrimônio sociocultural, promoção da liberdade, igualdade e respeito aos direitos.
Visitas ao Casarão da Diversidade e ao Centro de Promoção e Defesa dos Direitos LGBT (CPDD LGBT) estão incluídas no roteiro de atividades. Ambos, equipamentos da SJDH, que funcionam no Pelourinho, com ações e políticas direcionadas à população LGBTQIA+. No domingo (13), atividades culturais, no Dique do Tororó, encerram o Encontro Nacional com alegria e o envolvimento da comunidade da capital baiana.
Dados
De acordo com o Painel da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, do MDHC, de janeiro ao dia 07 deste mês, foram registradas 164 denúncias, e 1.007 violações de direitos da população LGBTQIAPN+. “O Brasil é um dos países que mais assassinam esses povos e 70% deles são de pessoas trans negras. É preciso que as autoridades e os gestores se debrucem sobe essa luta e instale políticas de estado para que os efeitos da violência transfóbica e racista sejam mitigados”, ressaltou a presidenta Baby.