Conceito de ‘maternidade social’ movimenta bate-papo em celebração ao Dia das Mães da SJDH

09/05/2025

Mãe, mainha, mamãe, minha mãe. As formas de tratamento são diversas e diferentes, mas, de acordo com o ditado popular, “mãe é tudo igual. Só muda o endereço”. Será mesmo??

Foi justamente com a intenção de provocar reflexões e debates sobre o que é ser mãe em uma sociedade como a brasileira (patriarcal, racista e misógina), que a Diretoria Geral da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (DG/SJDH) organizou a celebração ao ‘Dia das Mães’, na manhã desta quinta-feira (8). Antecipando a data comemorativa que, este ano, cai no domingo (11 de maio), a atividade reuniu servidoras e servidores no Salão de Atos da Governadoria. Após um café da manhã, seguiu-se um bate-papo provocador e instigante, que discutiu a maternidade como uma função historicamente construída, que valoriza os laços de afetividade profunda, mas que, também, impacta e sobrecarrega a vida das mulheres.

 

A conversa foi estimulada pela palestra “Maternidade, o trabalho invisível e a crise do cuidado", conduzida pela jornalista e pesquisadora do tema, Débora Menezes Alcântara. Em sua abordagem, a acadêmica explicou a construção histórica da maternidade social que, para além do aspecto biológico de gerar um filho, refere-se à função e ao significado atribuído ao papel de ser mãe. O conceito engloba as expectativas, papéis, valores e significados atribuídos à maternidade em diferentes contextos sociais, culturais e econômicos, influenciando a forma como a maternidade é vivida e compreendida pelas mulheres e pela sociedade em geral.

 

Alienação parental, maternidade solo, paternidade, violência obstétrica, a crise do cuidado e a promoção de políticas públicas de atenção e cuidado também foram abordados no bate-papo, norteado pelo tema central. “A maternidade é um assunto complexo, que permite diversos questionamentos. Meu propósito aqui, foi auxiliar a reflexão sobre essas questões e dar espaço para que essas mulheres falem de suas experiências. Nossas dores são assimétricas, não são iguais. A maternidade não é experimentada por todas as mulheres de forma igual. Cada uma de nós tem uma experiência para compartilhar”, ressaltou a jornalista.

 

Direito de ser mãe

O depoimento da coordenadora estadual do SIPIA/CPCA/SUDH, Liliane Tavares, trouxe um olhar sobre a mulher negra e seus estigmas sociais no exercício da maternidade. "Ser mãe, enquanto mulher negra, foi um ato de resistência e de cuidado. Planejei minha primeira gestação aos 25 anos, algo que muitas mulheres negras não conseguem fazer por falta de acesso. A gente carrega o estigma de ser forte e, por isso, somos negligenciadas até na hora do parto. Mas não é força, é abandono. A maternidade negra é atravessada pela violência, pela desigualdade no pré-natal e, até pelo lugar onde vivemos. Mas a maternidade é também ensinar que o lugar de cuidado é e deve ser coletivo, precisa ser compartilhado", declarou Tavares.

 

Interação

“Essas atividades permitem estarmos mais próximos de todas as áreas e isso ajuda a fortalecer os nossos laços, a avançar nos desafios de tocar a agenda dos Direitos Humanos. Queria parabenizar todas as mães da SJDH. Maternidade não é algo só de mulher, é da família e de toda a sociedade”, afirmou o chefe de gabinete da SJDH, Raimundo Nascimento.

 

A servidora da Coordenação de Programas de Proteção, Regina Bomfim, destacou que a palestra possibilitou um momento de refletir sobre qual a maternidade se deseja e qual maternidade é construída. “A fala de Débora foi muito interessante, porque nos trouxe outras reflexões sobre o lugar de mãe, sobre a maternidade que desejamos e que merecemos. Foi muito importante essa reflexão, porque todos precisam pensar juntos sobre a maternidade”, finalizou a servidora.

 

O evento foi concluído com o sorteio de brindes para as mães da SJDH, incluindo vouches para procedimentos de beleza, como limpeza de pele e extensão de cílios, e ingressos para shows de forró e passe de acesso a clubes recreativos e esportivos de Salvador.

 

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