Com ampla procura da população, o mutirão atendeu mais de 1700 pessoas e aproximou 600 novas famílias para o Coletivo Bahia pela Paz
A população de Feira de Santana vivenciou, nesta semana, uma experiência de imersão na cidadania, a partir de uma ação conjunta da Caravana de Direitos Humanos com os Coletivos Bahia pela Paz. Com atividades nos dias 4 e 5/8 no bairro da Mangabeira, e nos dias 6 e 7, na Conceição, foi possível realizar mais de 2000 atendimentos para cerca de 1700 pessoas. A ampla procura da população revelou que a cidade precisa de estratégias para resolver demandas represadas, e os obstáculos que esta vem enfrentando no acesso cotidiano aos seus direitos.
Durante os quatro dias de ação, nos dois bairros, mais de 600 famílias se aproximaram dos Coletivos Bahia pela Paz e seguirão sendo acompanhadas. Os Coletivos estão de portas abertas para a comunidade, no intuito de acolher suas demandas e encaminhá-las para os serviços públicos. Formação político-cidadã, atendimento psicológico e acompanhamento psicossocial são algumas das ofertas encontradas nestes equipamentos de referência, que são as sedes dos Coletivos.
“O atendimento foi maravilhoso, os atendentes são bem acolhedores. Eu consegui algo que busco há muitos anos, que foi o Passe Livre para meu esposo. Consegui resolver uma demanda com o Procon, tomei minha vacina da gripe. Não tenho como descrever, todos com a maior paciência e interesse em resolver os problemas da população”, relatou Ive Carla Rosário, moradora da Conceição.
Em Mangabeira, a ação ocorreu no Colégio Estadual Teotônio Vilela onde, dentre os diversos serviços ofertados à população, aconteceram diferentes ações formativas voltadas para alunos, professores e gestores. A estudante Raiane Bahia, que além das formações, conseguiu renovar toda sua documentação civil, deu um depoimento emocionado sobre sua participação na Caravana. “Eu tenho um grande sonho carregado no meu peito e tudo que eu precisava fazer para construir o meu sonho, eu precisava da minha identidade. E aí eu ficava pensando: como é que eu vou fazer faculdade se eu não tenho a identidade?”, compartilhou.
As Caravanas de Mangabeira e Conceição emitiram mais de 500 novas vias de certidões, 351 Carteiras de Identidades e 258 Títulos de eleitor. As formações abordaram temas como dignidade menstrual, igualdade racial e de gênero, políticas de saúde para a população LGBT, mediação de conflitos, contação de histórias, entre outros.
Parceiros
Participaram desta edição da Caravana o Ministério Público, a Secretaria de Segurança Pública (SSP/Instituto Pedro Mello), a Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (SETRE/SineBahia), a Secretaria de Relações Institucionais (SERIN/COJUVE), a Embasa, o INSS, Tribunal de Justiça da Bahia, a Defensoria Pública — DPE e o Tribunal Regional Eleitoral — TRE e a Secretaria de Saúde de Feira. A Secretaria de Justiça e Direitos Humanos também ofereceu serviços através da Superintendência de Proteção e Defesa do Consumidor — PROCON-BA, e da Superintendência dos Direitos da Pessoa com Deficiência — SUDEF. A Caravana é coordenada pela Superintendência de Apoio e Defesa aos Direitos Humanos (SUDH/SJDH) e conta com gestão administrativa da Fundação Luís Eduardo Magalhães.
BALANÇO 2025 — Neste ano, a Caravana ultrapassou 17 mil atendimentos para cerca de 11 mil pessoas, em 14 municípios: Salvador, Tanquinho, Água Fria, Madre de Deus, Itacaré (Taboquinhas), Ilhéus (Olivença), Valença (Jiquiriçá), Camamu, Banzaê (Aldeia Mirandela), Barreiras, Carinhanha, Malhada (Parateca/Pau D’Arco), Palmas de Monte Alto (Aroeira) e Feira de Santana. Até 2026, estão previstas mais 17 edições.
BAHIA PELA PAZ — Os ‘Coletivos Bahia pela Paz’ são equipamentos de referência, no âmbito do Programa Bahia pela Paz, que atuam na oferta de escuta, cuidado e articulação de redes para o fortalecimento de comunidades atingidas pela violência. Os Coletivos da Mangabeira e da Conceição, em Feira de Santana, iniciaram suas atividades em abril de 2025. Desde então, foram realizados mais de 1300 atendimentos. O projeto atende jovens de 12 a 29 anos, em contextos de vulnerabilidade, e suas famílias.