Espaço comunitário nasce da transformação da Associação da Conceição II e ofertará cursos, atendimentos e ações de fortalecimento para mulheres e famílias do território; projeto é apoiado pelo Edital Cultura Bahia pela Paz
O Instituto Mulheres Feirenses Maria Luiza, projeto da Associação Comunitária e Cultural da Conceição II, foi inaugurado nesta segunda-feira (11), em Feira de Santana, no bairro da Conceição. A cerimônia marca a ampliação das atividades da associação, contemplada pelo Edital Cultura Bahia pela Paz – Formação (nº 07/2024), por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), para desenvolver ações culturais nos territórios atendidos pelos ‘Coletivos Bahia pela Paz’.
A inauguração foi marcada pela entrega de 15 máquinas de costura e 13 computadores, além do anúncio de cursos de capacitação. O Instituto está entre as 12 Organizações da Sociedade Civil (OSC) selecionadas pela Secult/BA para receber recursos do “Cultura Bahia pela Paz. O objetivo é fortalecer ações artístico-culturais em andamento, localizadas em territórios com vulnerabilidade social, onde se localizam os Coletivos Bahia pela Paz, nos bairros da Conceição e da Mangabeira, em Feira de Santana; assim como Águas Claras, Liberdade, Paripe e São Caetano, em Salvador.
Com a inauguração, o Instituto Mulheres Feirenses Maria Luiza passa a oferecer dois cursos gratuitos: Corte e Costura, com 50 vagas destinadas a mulheres da comunidade; e Informática Básica, com 70 vagas para homens e mulheres de baixa renda. As turmas já estão formadas, e ambos os cursos têm duração de seis meses, com encontros regulares. Além dos cursos, o Instituto oferecerá atendimentos com nutricionista, médico e advogado, em dias específicos, priorizando mulheres, mães solo e famílias sem acesso à rede básica de serviços públicos.
Moradora do bairro da Conceição há 43 anos, Dinalva Santos de Jesus, 61 anos, celebra o início do curso de corte e costura no Instituto Maria Luiza. “Sempre foi um sonho da minha vida. Para mim, está sendo a maior felicidade fazer esse curso, que é muito importante para a gente da Conceição e, especialmente, para mim, porque eu tinha o sonho de costurar, mas não tive oportunidade. E hoje, pela honra e glória do Senhor, vou começar o curso a partir de amanhã”, frisou.
Na inauguração, Frank Ribeiro, coordenador-geral dos Coletivos Bahia pela Paz de Feira de Santana, apontou que a iniciativa se conecta ao trabalho já desenvolvido na região. "O Instituto de Mulheres Feirenses acaba fortalecendo uma ação que acontece no território, através de um edital específico do Bahia Pela Paz, por meio da Lei Aldir Blanc. Então, os Coletivos e o Instituto são ações conectadas ao Programa, com o intuito de fortalecer a comunidade, as famílias e a juventude. A gente sempre vê com bons olhos ações que vêm para fortalecer a nossa comunidade e o exercício da cidadania", disse.
Para Raimundo José, presidente da Associação de Moradores, a abertura do Instituto Mulheres Feirenses representa a realização de um sonho para a comunidade. "Estamos aqui, entregando sala de corte e costura, além de equipamentos de informática, nessa parceria com o Governo do Estado, com a PNAB, através do Bahia Pela Paz. Era um sonho para a comunidade e, hoje, estamos aqui, entregando esse equipamento para que as pessoas venham se profissionalizar e buscar seus passos cada vez mais”. O nome do Instituto Maria Luiza homenageia a mãe de Raimundo José, que viveu na casa onde o instituto foi inaugurado.
Edital Cultura Bahia pela Paz – Lançado pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), o edital destinou R$ R$ 749.786,43 mil para apoiar 12 projetos culturais em duas categorias: Apoio a Associações e Espaços Artísticos Culturais para ações de formação (até R$ 80 mil por projeto); e Apoio a Grupos e Coletivos para ações de formação (até R$ 50 mil por projeto).
Sobre o Instituto Mulheres Feirenses Maria Luiza – É um espaço comunitário dedicado ao acolhimento, formação e fortalecimento de mulheres e famílias em situação de vulnerabilidade social, oferecendo cursos gratuitos de capacitação profissional, além de promover atendimentos nas áreas de nutrição, medicina e assistência jurídica. Suas ações visam promover autonomia, dignidade e inclusão para pessoas de baixa renda, com foco especial nas mulheres negras das periferias.
Homenagem – Mulher negra, mãe solo e costureira, nascida em Serrinha (BA), Maria Luiza mudou-se, ainda criança, para Salvador e, em 1977, chegou à Feira de Santana, onde se estabeleceu no bairro da Conceição II. Foi uma das primeiras moradoras da comunidade, se tornando referência de acolhimento e solidariedade. Criou seus três filhos com dignidade, ajudando seus vizinhos em situação de vulnerabilidade. Sua trajetória influenciou diretamente o trabalho do filho, Raimundo José, presidente da Associação de Moradores. O Instituto, que leva seu nome, homenageia sua força, generosidade e legado como mulher da periferia.