Com a presença do vice-presidente da CUFA, Marcio Lima, a atividade tratou de imaginários e estigmas relacionados à favela, propondo novos olhares a territórios violentados
Construir novos imaginários sobre a favela, enquanto território historicamente violentado, apontando para potencialidades, resistências e espaços de auto-organização da juventude. Este foi um dos objetivos da roda de conversa Território e territorialidade: espaços, identidade e pertencimento, promovida pelo Coletivo Bahia Pela Paz - São Caetano, nesta terça-feira (4), quando se comemora o Dia da Favela.
A conversa aconteceu no Colégio Estadual Desembargador Pedro Ribeiro, em São Caetano, reunindo estudantes que têm sido acompanhados pelo Coletivo a partir de uma parceria com a unidade de ensino. Para fomentar e enriquecer o debate sobre a importância do Dia da Favela, o Coletivo convidou o vice-presidente da Central Única das Favelas Brasil (CUFA), Marcio Lima, que bateu um papo com os jovens beneficiários.
Egresso do Colégio Estadual Desembargador Pedro Ribeiro, Márcio Lima exaltou o poder da educação como fonte de transformação de territórios e pessoas. “Quando eu volto para o Colégio, sinto-me na obrigação de fazer o caminho de volta, para mostrar para os meus, que aqui estão, pessoas iguais a mim, que é possível transformar vidas através da educação, vidas e espaços”, comentou.
Para o jovem estudante e poeta Luís Guilherme, 16, que acompanha as atividades do Coletivo em São Caetano, o momento foi importante para repensar criticamente sobre o que é dito sobre a favela. “A gente aprendeu aqui que a favela não é só violência, que a favela é cultura, arte e resistência. Muitas vezes somos discriminados, mas temos nosso lugar no topo. Para mim, favela é isso: resistência, é imaginar e sonhar”, disse.
Psicólogo do Coletivo Bahia Pela Paz - São Caetano, Tiago Carvalho afirmou que a ideia da atividade foi pensar a favela como um “lugar de potencialidade para além daquilo que a mídia e os imaginários sociais” vinculam à favela. “Nossa ideia foi trazer como São Caetano pensa a favela e como os jovens estão inseridos neste contexto, como eles podem se organizar para mudar o que eles não gostam ou potencializar o que já é bom”.
Bahia Pela Paz - Programa estratégico do governo da Bahia para a prevenção social e redução da violência, a iniciativa tem como público prioritário jovens de 12 a 29 anos, em situação de vulnerabilidade social. Os Coletivos Bahia pela Paz são a principal estratégia de articulação comunitária do Programa. Os Coletivos são equipamentos de promoção de direitos humanos, instalados nas regiões urbanas mais densamente povoadas da Bahia e, também, com maiores índices de vulnerabilidade. De portas abertas para a comunidade, eles oferecem serviços integrados de educação, cultura, esporte, inserção no mercado de trabalho, atendimento psicossocial, acesso à cidadania e garantia de direitos, difundindo a cultura de paz entre as juventudes e suas famílias.