Com apoio do Coletivo, jovens beneficiários recitaram poesias em um dos eventos mais importantes do empreendedorismo e protagonismo negro no país
Para chegar ao palco principal do Expor Favela 2025 e recitar suas poesias, no dia 24 de outubro, o jovem Gustavo Santana Trindade, 16, trilhou um caminho marcado pelo seu protagonismo e interesse pessoal na literatura, ao mesmo tempo que contou com apoios que foram decisivos, a exemplo da relação construída com o Coletivo Bahia Pela Paz de São Caetano.
Estudante do Colégio Estadual Desembargador Pedro Ribeiro, unidade de ensino parceira do Coletivo no bairro, Gustavo criou uma oficina de escrita criativa para estudantes da escola. Desde então, o grupo se reunia para trocar experiências literárias, refletindo sobre a realidade da comunidade, seus problemas e potencialidades.
“A escrita me ajudou a desabafar e mostrar o que eu sentia. Eu queria proporcionar esse espaço para outras pessoas. Mostrar que a potencialidade delas não está só no espaço de casa e sim com outras pessoas. E compartilhando sentimentos, emoções e experiências com outras pessoas, a gente traz esse tom poético pra vida, que é um tom que a gente tem que ter muitas vezes, mas a gente não tem”, conta Gustavo.
Visando consolidar a oficina na escola, Gustavo buscou apoio do Coletivo Bahia Pela Paz, o que foi, segundo relatou o jovem, de fundamental importância para o fortalecimento e desenvolvimento das atividades da iniciativa.
“Quando eu pensei em fazer, eu não sabia onde procurar apoio. Foi aí que eu conheci o Bahia Pela Paz. Eu fiquei sabendo que eles podiam me ajudar. Eu disse ‘ah, eu vou mergulhar de frente, vou tentar procurar esse apoio. Eu vou buscar essa informação pra saber. Será que eu consigo?’ Aí eu perguntei e eles me deram esse apoio todo que eu precisei”, revela.
Gustavo subiu ao palco da Expo Favela em companhia de mais dois colegas da mesma escola - a estudante Sofia Magalhães e o estudante Luiz Guilherme - todos integrantes da oficina de escrita criativa.
Realização - Ao assistir a apresentação dos três estudantes, a coordenadora do Coletivo Bahia Pela Paz de São Caetano, Gisele Estrela, não escondeu seu contentamento.
“Para nós é muito gratificante poder trazer esses jovens para esse evento porque ele materializa uma construção dentro do Coletivo, de potência dessa juventude e de criar espaços de oportunidade para que eles possam falar sobre si e suas vivências”, diz.
Parceria - Acompanhando os três estudantes na Expo Favela 2025, a vice-diretora do Colégio Estadual Desembargador Pedro Ribeiro, Nelma Oliveira Galiza, avaliou positivamente a parceria entre a unidade de ensino e o Coletivo Bahia Pela Paz, que tem se refletido em impactos "significativos" na vida dos estudantes.
"A gente tem essa parceria firmada com o Coletivo em diversas ações. Nós temos essa oficina idealizada pelo estudante Gustavo da escrita criativa, mas temos outras ações que o Coletivo desenvolve na escola, por exemplo, o apoio psicossocial que é oferecido para estudantes em situação de vulnerabilidade, a gente faz o encaminhamento e eles dão suporte necessário tanto para ações sociais quanto psicológicas", relata.
"A gente tem sempre feito roda de conversas dentro da escola a partir de estudo de caso dos alunos acompanhados para que a gente possa ir vendo qual o resultado que a gente está tendo dessa parceria, do coletivo com a escola, e aí a gente vai vendo mudanças significativas no comportamento dos alunos que estão sendo encaminhados e que está sendo feito esse acompanhamento”, acrescenta a vice-diretora.
Bahia Pela Paz é um programa estratégico do governo do estado da Bahia para a prevenção social e redução da violência. A iniciativa tem como público prioritário jovens de 12 a 29 anos, em situação de vulnerabilidade social. Os Coletivos Bahia pela Paz são a principal estratégia de articulação comunitária do Programa; são equipamentos de promoção de direitos humanos instalados nas regiões urbanas com maiores índices de vulnerabilidade. De portas abertas para a comunidade, eles oferecem serviços integrados de educação, cultura, esporte, inserção no mercado de trabalho, atendimento psicossocial, acesso à cidadania e garantia de direitos.