A luta pela democracia e preservação da memória coletiva mobilizou estudantes, ativistas dos direitos humanos, familiares das vítimas da ditadura militar e diversas autoridades para 7ª Marcha do Silêncio, realizada nesta quarta-feira (1°), em Salvador. O ato, que teve como tema 'Crime Continuado: Lembrança Permanente', relembrou os 62 anos do Golpe Militar, um dos mais tristes períodos da história do Brasil. A Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH) participou do evento, reafirmando o compromisso de fortalecer as ações que promovem a preservação da memória e da verdade, além da construção de um país justo e democrático. A Marcha do Silêncio iniciou na Praça da Piedade com apresentações de capoeira e de poesia, destacando a arte como instrumento de formação social e resistência.
“A Marcha do Silêncio nos faz lembrar daqueles que deram a vida e não se calaram contra a ditadura. Preservar a memória deles e defender o nosso país contra o autoritarismo. Esse não é apenas um ato de lembrar o que passou, mas de projetar o futuro que queremos para o Brasil, que é um futuro com liberdade e democracia. Juntos com o Tortura Nunca Mais e outros movimentos sociais, reafirmamos o nosso compromisso com a defesa da democracia e de fortalecimento da memória coletiva”, ressaltou o titular da SJDH, Felipe Freitas.
Para Sirlene Assis, presidente do Grupo Tortura Nunca Mais, a sociedade foi convocada clamar por justiça e reparação, dizendo “Sem Anistia” para os envolvidos em crimes políticos, ocorridos na ditadura militar, e que ainda não tiveram os processos penais julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). “Essa é uma data que os brasileiros e brasileiras não podem esquecer. A nossa democracia foi interrompida em 1º de abril de 1964. Vidas foram ceifadas e pessoas foram torturadas. Jovens que lutaram pela democracia para nós estarmos aqui. Esses crimes não podem ser esquecidos, tem que ser lembrados”, afirmou. Sirlene destacou ainda que a 7ª Marcha do Silêncio é um ato para não deixar que esqueçam o que aconteceu na ditadura e dizer ‘não’ a qualquer regime autoritário e ‘sim’ à democracia, a vida, a liberdade de expressão.
Carregando tochas, faixas e cartazes, o público que participou da caminhada seguiu até o Campo da Pólvora, que também foi palco para as homenagens às vítimas da Ditadura Militar. Flores e cruzes foram depositadas no monumento aos Mortos e Desaparecidos Políticos, encerrando o ato.