Lançado no contexto do ‘Setembro Verde’, a publicação do professor e pesquisador Robenilson Nascimento traz um panorama da situação de educadores, pesquisadores e alunos com deficiência visual durante o isolamento social
Os impactos da pandemia de Covid-19 na educação de pessoas cegas e com baixa visão são evidenciados no livro 'Pandemia de Covid-19: Experiências Vividas por Pessoas com Deficiência Visual no Estado da Bahia', do professor Robenilson dos Santos. A publicação foi lançada nesta quarta-feira (4), no contexto do 'Setembro Verde', que reúne diversas ações de Governo e da sociedade civil, visando à reflexão e ação pela promoção de acessibilidade e inclusão. A campanha tem também o objetivo de sensibilizar a população sobre a necessidade de enfrentar a discriminação de pessoas com deficiência, denominada de capacitismo.
Na Bahia, o ‘Setembro Verde’ foi instituído pelo governador Jerônimo Rodrigues, através da Lei nº 14.560/23, para marcar o 21 de Setembro - Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. A campanha visa dar visibilidade ao tema e discutir, nos diversos setores da sociedade, as ações efetivas para promover inclusão, cidadania, respeito e oportunidades para as pessoas com deficiência. A agenda é articulada pela Superintendência dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Sudef), instância da SJDH, em parceria com o Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Coede), e o Comitê Gestor Estadual de Políticas de Inclusão das Pessoas com Deficiência (CGEPPD).
Acertadamente, o lançamento integra a ampla agenda do ‘Setembro Verde’ que, ao longo do mês, terá seminários, oficinas, campeonatos esportivos, simpósios, caminhadas e outras ações de cidadania, como a Caravana de Direitos Humanos para pessoas com deficiência. No livro, o professor e pesquisador Robenilson Nascimento dos Santos analisa o Atendimento Educacional Especializado (AEE) no contexto da pandemia. Ele traz um panorama da situação de educadores, pesquisadores e alunos com deficiência visual durante o isolamento social.
Tema de sua tese de doutorado, o livro narra as dificuldades e anseios das pessoas com deficiência visual, enfrentados no decorrer da crise mundial de saúde. O professor aponta a necessidade de aprimorar a acessibilidade dentro do ambiente escolar, com a oferta de recursos multifuncionais para garantir a alfabetização desse público específico em situações semelhantes. Relatos de pessoas cegas e com baixa visão ilustraram a pesquisa, que faz uma reflexão acerca da educação inclusiva e do papel dos ledores e ledoras voluntários/as (pessoas que lêem em voz alta), para garantir o acesso ao conhecimento e promover a formação acadêmica escolar.
“O centro do livro foi avaliar as experiências vividas por pessoas com deficiência visual durante a pandemia. Esse é um texto que aborda a temática da educação, como os professores e os estudantes, com deficiência visual, vivenciaram o desafio do ensino remoto dentro do atendimento educacional especializado. Falo, também, sobre a relação que as pessoas cegas estabeleceram com ledoras e ledores voluntários para darem seguimento as suas vidas acadêmicas, profissionais, com leituras on-line. Espero poder contribuir com essa reflexão, acerca da luta das pessoas com deficiência visual, que foram corajosas e determinadas, que foram à luta pelos seus objetivos, mesmo em um momento tão desafiador.”, explicou o professor.
Professor da rede pública
Doutor em Difusão do Conhecimento, pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Robenilson Nascimento dos Santos atua como professor da educação básica, há mais de 20 anos, na rede pública do Estado da Bahia. Esse é o seu segundo livro, lançado sob a ótica da educação inclusiva, que é o tema de sua pesquisa acadêmica. O primeiro livro “O ser-aí cego: ler, escrever, pesquisar e produzir conhecimento”, lançado em 2021, traz as experiências de pessoas cegas na busca pela leitura.
Participaram da mesa de lançamento o professor e pesquisador da UFBA, Dante Galeffi; o diretor da Biblioteca Central, Marcos Viana; a colaboradora do Setor de Braille da Biblioteca Central da Bahia, Celice Santos; e a voluntária do Grupo de Voluntários Copistas e Ledores para Cegos (GVCLC), professora Alzira Josefina